Segurança reforça Flávio; tarifaço divide Congresso, aponta pesquisa
Levantamento do Ranking dos Políticos mostra vantagem para a oposição na pauta da segurança e divisão sobre o tarifaço
A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas é vista pelo Congresso como um ativo eleitoral para a oposição na disputa presidencial de 2026. Já o aumento das tarifas sobre produtos brasileiros continua dividindo deputados e senadores entre as narrativas do governo e da oposição.
É o que aponta pesquisa do Ranking dos Políticos, realizada entre os dias 1º e 10 de julho com 112 deputados federais e 28 senadores.
Na Câmara, 73,6% dos parlamentares afirmaram que a classificação das facções criminosas beneficia mais o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida ao Planalto. No Senado, esse percentual sobe para 78,6%.
Segundo o diretor-geral do Ranking dos Políticos, Juan Carlos Arruda, a pauta da segurança pública se consolidou como o tema de maior potencial eleitoral para a direita.
“Quando o foco é o combate ao crime organizado, essa divisão diminui significativamente e surge uma percepção majoritária de que a agenda da segurança continua sendo o principal patrimônio político da direita para 2026”, afirmou.
O levantamento mostra ainda que a percepção favorável a Flávio Bolsonaro não se restringe aos parlamentares de oposição. Entre os deputados de esquerda, 11,5% também avaliaram que a decisão americana tende a beneficiar o senador. No Senado, esse percentual chega a 28,6%.
Tarifaço divide Congresso
O cenário é diferente quando o assunto é o aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros.
Na Câmara, 45,5% dos deputados acreditam que o episódio favorece eleitoralmente Flávio Bolsonaro, enquanto 40% avaliam que o principal beneficiado é o presidente Lula (PT).
No Senado, o resultado foi de empate: 39,3% dos parlamentares disseram que a medida fortalece Lula, mesmo percentual dos que enxergam vantagem para Flávio Bolsonaro.
A pesquisa também identificou um comportamento distinto entre os grupos políticos. Enquanto parlamentares de esquerda tendem a associar o tarifaço a um ganho para o governo, deputados e senadores de direita avaliam que o episódio favorece a oposição. O centro aparece dividido entre as duas interpretações.
Na Câmara, os parlamentares de centro inclinam-se mais para a tese de que o episódio beneficia Flávio Bolsonaro. Já no Senado, a maioria desse grupo considera que o principal favorecido é Lula.
Segundo Juan Carlos Arruda, o levantamento mostra que a política externa passou a ser interpretada sob uma lógica eleitoral.
“Quando a pauta envolve comércio exterior e tarifas, o Congresso se divide entre as narrativas do governo e da oposição. Mas, quando o foco é o combate ao crime organizado, a percepção se concentra na oposição”, afirmou.
A pesquisa ouviu 112 deputados de 16 partidos e 28 senadores de 11 legendas, respeitando a proporcionalidade das bancadas entre governistas, oposicionistas e independentes. A margem de erro é de 6,5 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)