Lindbergh aciona PGR contra Flávio por vídeo de “Bolsonaro de IA”
Deputado do PT diz que tecnologia foi usada para driblar restrições do STF e também questiona participação de Milei em convenção do PL
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) em razão do vídeo produzido com inteligência artificial que simulou um pronunciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro durante a convenção do PL.
Para o petista, o uso da tecnologia teria sido uma tentativa de contornar restrições impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que impedem Bolsonaro, em prisão domiciliar, de gravar vídeos ou áudios.
Lindbergh pediu a abertura de investigação pela Polícia Federal e a apuração de possível descumprimento das medidas judiciais.
O material exibido no evento informava, no início, que se tratava de uma simulação feita por inteligência artificial. Na gravação, a versão digital de Bolsonaro declarou apoio ao filho e criticou a decisão judicial que o mantém sob restrições.
“Isso que vocês estão vendo aqui não sou eu, isso é uma simulação da minha imagem e da minha voz feito com inteligência artificial. Como todos aqui sabem, eu estou preso e calado por uma decisão injusta e arbitrária baseada em algo que eu nunca fiz. Mas eu garanto que nenhuma prisão vai calar o sentimento de esperança que despertamos. Nenhuma prisão vai calar os milhões de brasileiros que acreditam no nosso país. Por isso, peço que vocês recebam de braços abertos a pessoa que escolhi para me substituir, sangue do meu sangue, meu filho Flávio”, disse a versão criada por IA.
Na representação, Lindbergh afirmou que o aviso sobre o uso da tecnologia não elimina a irregularidade.
“O vídeo exibido amolda-se, com exatidão literal, à conduta vedada. (…) A ressalva inserida na abertura da peça de que se trata de simulação por inteligência artificial não descaracteriza a violação”, escreveu.
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Milei
Além do vídeo, o deputado questionou a presença do presidente da Argentina, Javier Milei, na convenção do PL.
Para Lindbergh, o discurso do argentino configurou participação de estrangeiro em ato partidário e propaganda eleitoral antecipada.
Durante o evento, Milei declarou apoio a Flávio Bolsonaro, criticou o presidente Lula (PT) e atacou o ministro do STF Alexandre de Moraes.
O petista afirmou que o chefe de Estado argentino fez um pedido de votos e atacou instituições brasileiras.
“O discurso proferido pelo presidente argentino na convenção do PL com declaração de apoio ao candidato oficializado no ato, pedido expresso de voto dirigido ao eleitorado brasileiro, com indicação da data do pleito, ataques ao candidato adversário e desqualificação de decisão do Supremo Tribunal Federal corresponde, em tese, com precisão à conduta descrita no tipo: participação de estrangeiro em ato partidário e de propaganda”, afirmou Lindbergh.
O deputado também citou uma fala de Flávio Bolsonaro durante a convenção, na qual o senador teria pedido votos antes do início oficial da campanha eleitoral.
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