Coelho apagado da ciência por mais de 120 anos reaparece nas montanhas e emociona pesquisadores
Cinco anos de buscas guiadas pelo conhecimento local confirmaram um mamífero raro em sete regiões montanhosas examinadas.
O coelho apagado da ciência é o coelho-de-Omiltemi, ou Sylvilagus insonus, mamífero mexicano que não era observado vivo por pesquisadores desde o início do século XX. Após cinco anos de buscas, uma equipe confirmou sua presença em sete das dez regiões examinadas.
Qual coelho apagado da ciência reapareceu depois de 120 anos?
O coelho-de-Omiltemi vive nas florestas montanhosas da Sierra Madre del Sur, no estado mexicano de Guerrero. A espécie pertence ao gênero Sylvilagus, mas se distingue dos coelhos próximos por características físicas pouco comuns.
A descrição científica original foi publicada em 1904 por Edward William Nelson. Uma pele entregue por caçadores locais chegou a cientistas em 1998, porém nenhum pesquisador havia observado um indivíduo vivo durante mais de um século.

Por que os moradores sabiam onde o animal vivia?
Para a ciência, os registros eram raríssimos; para comunidades das montanhas, o coelho continuava conhecido. Moradores relataram encontros e explicaram que o animal também era utilizado como fonte de alimento em algumas localidades.
Esse conhecimento mudou o rumo da investigação. Em vez de insistir apenas nos arredores de Omiltemi, a equipe passou a visitar povoados, conversar com caçadores e concentrar esforços nas florestas de coníferas em maior altitude indicadas pelas entrevistas.
Como cinco anos de buscas confirmaram a redescoberta?
A procura começou em 2019 nas áreas florestais próximas de Chilpancingo, onde os pesquisadores não encontraram sinais. Entre 2020 e 2022, o trabalho avançou para a região de Filo Mayor, seguindo informações fornecidas pelas comunidades.
Os cientistas analisaram animais obtidos por caçadores, compararam medidas e pelagem com exemplares de museu e instalaram câmeras automáticas. Imagens registradas em diferentes locais forneceram a confirmação visual de coelhos vivos circulando livremente.
A investigação combinou diferentes fontes de evidência:
O que significa encontrar o animal em sete das dez regiões?
A confirmação em sete áreas examinadas mostra que a espécie não está limitada ao ponto onde foi descrita originalmente. O resultado amplia o conhecimento sobre sua distribuição e oferece locais concretos para futuros levantamentos populacionais.
Isso não significa que o coelho seja abundante ou esteja livre de riscos. Sua área continua restrita às montanhas de Guerrero, e ainda faltam informações sobre tamanho da população, reprodução, deslocamentos e resposta às mudanças no habitat.
Os números resumem o alcance do trabalho de campo:
Quais características evitaram confundir os coelhos?
Apesar do nome inglês cottontail, o coelho-de-Omiltemi não possui cauda branca e arredondada. Sua cauda é curta e preta, enquanto o corpo e as orelhas são menores que os de outras espécies encontradas na mesma região.
A pelagem escura, com tons castanhos e avermelhados, também ajudou na identificação. A combinação dessas características com medidas corporais, análise de exemplares e fotografias permitiu separar o animal do coelho-mexicano que ocupa parte das mesmas florestas.
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A redescoberta garante a sobrevivência do coelho?
Não. A espécie continua classificada como dados insuficientes na Lista Vermelha, pois ainda existe pouca informação sobre sua ecologia. Desmatamento, perda de habitat e caça podem representar ameaças, mesmo com a área conhecida dentro da Reserva da Biosfera Sierra Tecuani.
O perfil do coelho-de-Omiltemi confirma os cinco anos de procura e os registros em sete regiões. O próximo passo é criar medidas com moradores e autoridades para que o conhecimento tradicional ajude a manter a espécie protegida.
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