Rede com 399 lojas não encontra comprador após 40 anos e demite 10.700 trabalhadores com dívida de R$ 6,5 bilhões
A antiga gigante das livrarias perdeu espaço no mercado digital, chegou ao leilão sem oferta válida e encerrou todas as unidades restantes.
Uma rede de 399 lojas chegou ao fim sem receber uma proposta capaz de mantê-la funcionando e preservar milhares de empregos. Em julho de 2011, a tradicional companhia anunciou a liquidação dos pontos restantes após meses tentando sair da recuperação judicial.
Qual rede de 399 lojas não encontrou comprador?
A empresa era a Borders Group, rede fundada em 1971 pelos irmãos Tom e Louis Borders em Ann Arbor, Michigan. O negócio começou com uma loja e cresceu até se tornar um dos maiores vendedores de livros dos Estados Unidos.
Além de livros, as unidades vendiam revistas, CDs, DVDs, presentes e papelaria. A companhia controlou a Waldenbooks e operou centenas de lojas em diferentes formatos. Em 2011, sua estrutura já havia encolhido antes da liquidação das 399 unidades restantes.

Como a dívida foi estimada em R$ 6,5 bilhões?
No pedido apresentado em fevereiro de 2011, a Borders informou US$ 1,275 bilhão em ativos e US$ 1,293 bilhão em passivos. Com o dólar arredondado a R$ 5, o passivo se aproxima de R$ 6,5 bilhões.
O valor em reais apenas dimensiona o processo, pois os documentos usaram dólares. A empresa acumulava perdas desde 2007, devia a editoras e precisava financiar lojas, estoques e salários durante a reorganização.
Por que a Borders perdeu espaço no mercado?
A companhia demorou a construir uma estratégia digital. Durante anos, direcionou vendas online para a Amazon, fortalecendo uma concorrente. Quando retomou o site, o mercado já migrava para compras pela internet e livros eletrônicos.
A rede dependia de lojas grandes e caras, além de reservar espaço para CDs e DVDs, categorias afetadas pela digitalização. A crise reduziu o consumo, enquanto a Barnes & Noble investia no leitor eletrônico Nook e mantinha presença digital mais forte.
Os principais problemas se combinaram ao longo dos anos:
O que aconteceu no leilão da rede?
A Najafi Companies, por meio da Direct Brands, apresentou uma proposta de US$ 215 milhões e assumiria parte das obrigações. Credores rejeitaram os termos e defenderam um processo competitivo em busca de alternativa melhor.
O tribunal autorizou o leilão, mas o prazo terminou em 17 de julho sem oferta qualificada para manter a operação. A Borders então aceitou as liquidantes Hilco e Gordon Brothers para vender estoques, móveis e outros ativos.
Como a liquidação atingiu 10.700 trabalhadores?
A Borders empregava 10.700 trabalhadores ao decidir fechar as 399 lojas, incluindo cerca de 400 na sede de Ann Arbor. As liquidações começaram em julho, e as demissões avançaram conforme os estoques eram vendidos e cada unidade encerrava.
O processo terminaria em setembro de 2011. Algumas lojas interessaram à Books-A-Million, mas as negociações não impediram o encerramento nacional. As últimas unidades americanas fecharam, e a operação online foi desativada depois.
Quatro datas resumem a trajetória da companhia:
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O encerramento apagou completamente o nome Borders?
Não. A rede americana desapareceu, mas a Barnes & Noble comprou marcas e dados de clientes. Operações internacionais licenciadas tiveram destinos diferentes porque não pertenciam necessariamente à companhia liquidada. Assim, o nome apareceu em alguns mercados depois de 2011.
A página da Borders Group resume a antiga rede, enquanto uma análise acadêmica da Universidade do Tennessee examina sua falência. O caso mostra que tamanho e reconhecimento não bastam quando dívida, custos físicos e mudança tecnológica avançam juntos.
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