Habib’s pede proteção judicial contra credores
Medida protege Grupo Gennius de cobranças enquanto negocia dívidas de R$ 312,41 milhões; lojas seguem funcionando normalmente
A rede de restaurantes Habib’s, o Ragazzo e a churrascaria Tendall Grill, controlados pelo Grupo Gennius, conseguiram na Justiça de São Paulo uma medida que suspende por dois meses ações de cobrança movidas por credores.
A decisão, tomada em 1º deste mês pelo juiz Jomar Juarez Amorim, da 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da capital paulista, abrange 174 empresas ligadas ao grupo e beneficia dívidas que somam R$ 312,41 milhões.
Passo anterior à recuperação judicial
A providência, chamada de tutela cautelar, funciona como uma barreira temporária contra execuções e bloqueios de bens, e costuma preceder pedidos formais de recuperação judicial. Segundo o magistrado, a medida visa “a preservação da empresa e da maximização dos ativos do devedor”, já que a continuidade das cobranças poderia resultar em “liquidação desordenada” do patrimônio.
De acordo com a decisão, a empresa foi afetada pela pandemia de Covid-19, por transformações nos hábitos de consumo ligadas à expansão das plataformas de entrega e por um cenário macroeconômico considerado adverso. O grupo opera hoje cerca de 400 lojas no país, além de manter centros próprios de produção e distribuição.
Fundador também é alvo do pedido
O pedido de proteção inclui, junto às companhias, o empresário Alberto Saraiva, fundador do Habib’s em 1988, e o administrador Belchior Saraiva Neto.
Entre as razões sociais protegidas estão a Alsaraiva Empreendimentos Imobiliários, ligada ao Habib’s, e a Allpasta Empreendimentos e Participações, responsável pelas cozinhas do Ragazzo, marca lançada três anos após a rede de fast-food árabe.
Em 1992, o grupo passou a operar por franquias, modelo que sustentou sua expansão pelo território nacional.
Procurada pelo Globo, a empresa confirmou o pedido judicial e afirmou que o propósito é “negociar os passivos financeiros acumulados durante o período desafiador dos últimos anos”.
Em nota, o grupo declarou que “as lojas do Grupo continuam funcionando normalmente em todo o país, mantendo o mesmo padrão de qualidade e atendimento aos nossos clientes”.
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