Pré-candidato do Psol evita condenar crimes sexuais atribuídos ao Hamas
Após assistir ao depoimento de uma ex-refém israelense, socialista reafirmou apoio à "resistência" e evitou condenar os crimes relatados
O pré-candidato do PSOL à Câmara dos Deputados por Pernambuco, Jones Manoel, evitou condenar especificamente os estupros e outros casos de violência sexual atribuídos ao Hamas durante os ataques de 7 de outubro de 2023 contra Israel. Ao ser confrontado pelo vereador do Recife Eduardo Moura (Novo), o socialista reafirmou que apoia “todas as formas de resistência” do povo palestino.
O embate ocorreu na noite de quarta-feira, 22, durante o podcast Fala Ordinário. Antes da pergunta, foi exibido um trecho do depoimento de Ilana Gritzewsky, ex-refém israelense sequestrada no kibutz Nir Oz e mantida em cativeiro na Faixa de Gaza por 55 dias.
Em relato apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, Ilana afirmou ter sido agredida e vítima de violência sexual durante o ataque. Segundo ela, acordou seminua, cercada por sete terroristas, e retornou do cativeiro com o quadril e a mandíbula fraturados.
Após a exibição do vídeo, Eduardo Moura fez uma pergunta direta ao adversário político.
“Você defende o estupro de mulheres, o estupro grupal, inclusive, de mulheres e de bebês, Jones Manoel?”
Jones respondeu:
“A gente apoia todas as formas de resistência do povo palestino. Eu não sou sommelier de resistência, não. A forma que o povo palestino quiser lutar pela sua libertação, ele luta. A gente apoia a luta palestina pela libertação. Eu tenho um compromisso de vida com a libertação da Palestina. Esse compromisso nunca vai ser abrandado, não.”
Mesmo após a insistência de Moura, Jones não respondeu diretamente se condenava os estupros mencionados nem estabeleceu distinção entre ações armadas e os relatos de violência sexual apresentados durante o debate.
A discussão ocorre em meio a investigações internacionais sobre os ataques de 7 de outubro. Missão da representante especial da ONU para violência sexual em conflitos concluiu haver fundamentos razoáveis para acreditar que estupros e estupros coletivos ocorreram em diferentes locais do sul de Israel, além de identificar informações consideradas claras e convincentes de violência sexual contra alguns reféns mantidos na Faixa de Gaza.
Na réplica, Eduardo Moura afirmou que a resposta do adversário evidenciou a ausência de limites para práticas cometidas em nome da causa palestina.
“Ele foi questionado diretamente sobre o estupro de mulheres e teve a oportunidade de condenar esses crimes. Não condenou. Preferiu dizer que apoia todas as formas de resistência e que não é ‘sommelier de resistência’. Quando alguém se recusa a estabelecer como limite até mesmo a violência sexual, precisa responder publicamente pela posição que decidiu assumir.”
O vereador também afirmou que avaliará a adoção de medidas para responsabilizar Jones pelas declarações.
“Para mim, quem defende estupro de mulher é lixo humano. E, se tem uma coisa que eu vou atrás, é saber se você deve ser responsabilizado pelo que acabou de admitir aqui”, declarou ao fim do debate.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)