PP evita aliança com Flávio Bolsonaro para eleição
Ciro Nogueira indica que a cúpula do partido prioriza eleição de deputados e mantém neutralidade na disputa presidencial
O senador Ciro Nogueira (PI), presidente nacional do Progressistas, negou o pedido de coligação feito por Flávio Bolsonaro (PL) para a corrida presidencial, segundo relatos de pessoas próximas ao parlamentar.
Os dois se reuniram nesta quarta-feira, 22, em Brasília, mas Ciro evitou confirmar publicamente o teor do encontro. A postura reforça a neutralidade já adotada pela federação União Progressista, formada pelo PP em conjunto com o União Brasil.
Bancada pesa mais que aliança nacional
Segundo fontes da direção do PP e do União Brasil, ouvidas pela Folha, a definição pela neutralidade na disputa pelo Planalto foi tomada há alguns dias. Auxiliares de Nogueira reconhecem que sua posição é delicada, já que ele ocupou o cargo de ministro da Casa Civil durante o governo Jair Bolsonaro.
Em abril, o senador chegou a sinalizar abertura a um apoio formal, condicionado a mudanças na retórica do pré-candidato. Na ocasião, declarou: “Ele tem tudo para receber nosso apoio”.
A avaliação interna mudou desde então: dirigentes apontam perda de força política de Flávio após a repercussão negativa do filme Dark Horse e criticam decisões que teriam privilegiado interesses familiares.
Um alinhamento formal com o PL, segundo esses relatos, poderia prejudicar a eleição de deputados federais e estaduais em diversos estados.
Desgaste também na família
Outro fator que distanciou possíveis apoios foi o desentendimento público entre Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Em vídeo divulgado no fim de junho, ela afirmou ter sido tratada de forma inadequada pelo enteado e indicou que não deve apoiá-lo na campanha presidencial.
Diante do cenário, resta a Flávio buscar apoio do Republicanos, comandado pelo deputado Marcos Pereira (SP), embora integrantes da sigla considerem improvável uma aliança formal com o PL.
As conversas entre os dois têm sido difíceis, o que levou o pré-candidato a apostar na filiada ao Republicanos e ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, como possível vice em sua chapa.
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