Movimentos sociais vão aos EUA pedir respeito às eleições
Comitiva de entidades brasileiras se reúne com parlamentares democratas em Washington para exigir reconhecimento à soberania
Representantes de cerca de quinze entidades da sociedade civil brasileira desembarcaram em Washington nesta semana para uma série de reuniões com parlamentares dos Estados Unidos. O objetivo da comitiva, liderada pelo Washington Brazil Office, é buscar compromissos internacionais contra qualquer tentativa de interferência externa no processo que escolherá o próximo presidente do Brasil.
A comitiva pede que parlamentares americanos pressionem o governo dos Estados Unidos a reconhecer o resultado da eleição presidencial brasileira assim que a apuração for concluída, independentemente do vencedor, em respeito ao princípio de não interferência entre países soberanos.
O diretor do IP.rec, André Fernandes, disse à Folha que a entidade também levará aos congressistas preocupações sobre o uso de plataformas digitais e sistemas de inteligência artificial na ampliação de discursos de violência política contra mulheres, pessoas negras e outros grupos vulneráveis.
Questionado sobre eventual relação da missão com possíveis ações do presidente Trump em relação ao pleito brasileiro, Fernandes afirmou que o propósito central é reforçar a confiança no processo eleitoral e defender a soberania nacional diante de agentes externos.
Agenda com democratas e organismos internacionais
Entre os parlamentares previstos na agenda estão os democratas Mark Pocan, Joaquin Castro, Chuy García e Jonathan Jackson, além de contatos com as equipes de Jim McGovern, Sydney Kamlager-Dove, Tim Kaine e Peter Welch. A comitiva também aguarda confirmação de encontro com um deputado republicano ainda não identificado publicamente.
Estão previstas ainda conversas com a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, ligada à Organização dos Estados Americanos, com representantes da embaixada brasileira e com outras entidades civis. Um pedido de reunião com integrantes do governo americano não obteve resposta até o momento.
Fazem parte da delegação, organizações como Apib, Comissão Arns, CUT, Direitos Já, Gife, Instituto Futuro, Instituto Marielle Franco, Instituto Vladimir Herzog, IP.rec, Lapin, MTST, Odara – Instituto da Mulher Negra e Plataforma CIPÓ.
Contexto de viagens da família Bolsonaro
A viagem ocorre num momento de intensificação de deslocamentos do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos — a quinta apenas neste ano, sendo a mais recente no início de julho, quando ele contestou a cobrança de tarifas americanas sobre produtos brasileiros.
Seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, mora nos EUA desde o começo de 2025 e mantém viagens frequentes à capital americana, nas quais pede que o governo de Donald Trump e legisladores republicanos pressionem autoridades brasileiras, inclusive quanto à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por tentativa de golpe de Estado.
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