Protesto de jovens deixa feridos em Nova Délhi
Marcha organizada pelo satírico Cockroach Janta Party termina em confronto com a polícia e reacende críticas ao governo Modi
Um protesto liderado por jovens terminou em confronto com as forças de segurança em Nova Délhi na segunda-feira, 20, deixando 60 manifestantes e 118 policiais feridos.
A manifestação, organizada pelo Cockroach Janta Party (CJP), grupo satírico nascido nas redes sociais em maio, seguiu em direção ao Parlamento indiano e foi contida com gás lacrimogêneo e cassetetes.
As autoridades também suspenderam o acesso à internet móvel em trechos da capital, incluindo a região de Jantar Mantar, palco dos confrontos.
Origem dos protestos
O movimento nasceu como campanha digital voltada a criticar o desemprego e as falhas do sistema de ensino indiano, mas ganhou corpo nas ruas ao ser adotado por integrantes da geração Z.
Segundo a DW, o estopim mais recente foi o cancelamento de um exame de admissão para cursos de medicina, motivado pelo vazamento da prova — decisão que atingiu milhões de estudantes e ampliou a insatisfação popular. Os manifestantes cobram a saída do ministro da Educação, Dharmendra Pradhan.
A mobilização ressurgiu com força no fim de semana anterior, após o ativista Sonam Wangchuk, em greve de fome havia três semanas, ser removido à força para um hospital. Episódios de jejum prolongado como forma de protesto têm histórico recorrente no país.
A deputada opositora Renuka Chowdhury, do Partido do Congresso, criticou a atuação policial: “É assim que um governo se comporta? Usando gás lacrimogêneo e cassetetes contra estudantes? Este é um governo inútil”.
Governo tenta conter avanço do movimento
Diante do crescimento das manifestações, integrantes do governo passaram a negociar com representantes do CJP.
O ministro do Interior, Amit Shah, e o ministro da Saúde, J. P. Nadda, mantiveram conversas com lideranças do movimento. Um deputado do partido governista BJP, sob anonimato, declarou: “Vamos avaliar a melhor forma de atender às reivindicações dos estudantes”.
Apesar do diálogo, o apoio ao movimento segue concentrado entre estudantes e a classe média urbana, enquanto o eleitorado tradicional do BJP permanece nas áreas rurais. Para o comentarista Apoorvanand, a tendência é de expansão: “As pessoas circulam constantemente entre cidades e vilarejos. Quem testemunhou a ação policial levará essas experiências para casa. A raiva agora está direcionada ao governo”.
Segundo o principal porta-voz dos manifestantes, Saurav Das, o movimento não deve se encerrar no curto prazo: “Esta é uma luta longa. Teremos de travar uma batalha prolongada porque é preciso mudar todo um sistema, cujas estruturas estão profundamente enraizadas”.
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