EUA não ficarão “de braços cruzados”, diz Rubio sobre Nicarágua
Daniel Ortega garantiu que qualquer processo eleitoral democrático não terá chance no país
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta terça-feira, 21, que o governo Trump e a comunidade internacional “não ficarão de braços cruzados” enquanto o ditador da Nicarágua, Daniel Ortega (foto), ataca o processo eleitoral e atua para se perpetuar no poder.
“A Administração Trump e a comunidade internacional não ficarão de braços cruzados enquanto a ditadura Murillo-Ortega aprofunda a repressão em casa e fabrica instabilidade que ameaça a segurança nacional dos EUA. O compromisso de Ortega de abolir as eleições na Nicarágua prova sua covardia e medo da vontade do povo nicaraguense”, escreveu Rubio no X.
Durante ato comemorativo da Revolução Sandinista, Ortega garantiu que qualquer processo eleitoral democrático não terá chance no país.
“Esqueçam! Não haverá mais eleições aqui para que eles possam tentar tomar o governo, tomar o poder”.
Para Ortega, “história de partidos instalados pelos ianques, instalados pelo regime de Somoza, chegando ao poder, acabou. […] Não importa quanto dinheiro os ianques deem, eles não conseguirão”.
O golpista que deseja prevenir o suposto golpe da oposição não explicou qual mecanismo legal sustentará a medida, mas afirmou que passará a atuar junto à Assembleia Nacional para barrar o que chama de partidos de oposição financiados pelos Estados Unidos.
Eleições já eram questionadas
A ausência de um novo pleito, na prática, não alteraria de forma significativa o cenário político nicaraguense.
Acusações de fraude nas urnas existem desde 2008, e a eleição presidencial de 2021 só ocorreu depois da prisão de todos os candidatos com condições de disputar o poder contra Ortega. Boa parte dos opositores hoje vive fora do país ou perdeu a nacionalidade nicaraguense, classificada como punição a “traidores da pátria”.
O anúncio ocorre em um momento de maior atuação dos Estados Unidos na região. Em junho, o governo americano impôs restrições de visto a mais de cem autoridades nicaraguenses, dias após a morte sob custódia do líder indígena Brooklyn Rivera, preso desde setembro de 2023.
Na ocasião, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, declarou: “Os EUA estão ao lado do povo nicaraguense que, assim como Rivera, aspira a ver uma Nicarágua livre”.
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