60% do território dentro do Pantanal: a cidade sul-mato-grossense que já teve o terceiro maior porto fluvial da América Latina
Natureza, história e fronteira moldam a rotina dos moradores
Um povoado erguido em 1778 para conter o avanço espanhol pela fronteira brasileira virou, um século depois, um dos portos mais movimentados da América do Sul. Corumbá, no oeste do Mato Grosso do Sul, ocupa 60% do seu território dentro do Pantanal, faz fronteira com a Bolívia e concentra em suas ladeiras o maior conjunto de arquitetura colonial preservada do estado. É chamada de Capital do Pantanal e de Cidade Branca, apelidos que vieram, cada um, de um traço marcante da paisagem.
Como um forte de fronteira virou porto de comércio internacional?
Segundo a Prefeitura Municipal de Corumbá, a ocupação da região começou no século XVI com a chegada dos portugueses em 1524, em busca de ouro. Em 21 de setembro de 1778, foi fundado o Arraial de Nossa Senhora da Conceição de Albuquerque, primeira denominação do vilarejo, criado para impedir o avanço espanhol pela fronteira. Da posição estratégica às margens do Rio Paraguai, o arraial cresceu como entreposto comercial.
Após a Guerra do Paraguai, o comércio fluvial explodiu. Imigrantes europeus e sul-americanos chegaram para reconstruir e desenvolver a cidade, que passou a abrigar o terceiro maior porto fluvial da América Latina. Do porto saíam borracha, couro e produtos agropecuários, e chegavam bens importados da Europa via Rio da Prata. A idade de ouro durou até o início do século XX, quando a chegada da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil deslocou o eixo comercial do estado para Campo Grande.

Por que Corumbá é chamada de Capital do Pantanal?
O município ocupa 64.960 km², e cerca de 60% desse território está dentro do bioma Pantanal, a maior área alagável do planeta. A cidade é a principal porta de entrada para o santuário ecológico, com acesso ao Rio Paraguai, ao Rio Miranda e às planícies alagadas que abrigam onças-pintadas, tuiuiús, jacarés e centenas de outras espécies.
Segundo a Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul, o município concentra o mais importante conjunto de operadores de pesca esportiva, safáris fotográficos e barcos-hotel do bioma. O apelido de Cidade Branca vem do solo claro rico em calcário, matéria-prima que sustentou a economia industrial iniciada na década de 1940, com a exploração das reservas locais para a indústria do cimento. Assim como outras cidades brasileiras de raízes coloniais preservadas, como a cidade capixaba com santuário de 1558 no alto de um penhasco, Corumbá guarda um casario colonial que resistiu a séculos de mudanças.

Como o Banho de São João virou Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil?
Uma tradição secular em que devotos batizam a imagem do santo nas águas do Rio Paraguai virou o primeiro Patrimônio Imaterial nacional registrado exclusivamente em Mato Grosso do Sul. Em 19 de maio de 2021, durante a 95ª Reunião do Conselho Consultivo, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) reconheceu oficialmente o Banho de São João de Corumbá e Ladário no Livro de Registro das Celebrações.
Segundo notícia oficial da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul, o processo tramitou por mais de uma década desde o pedido inicial da Prefeitura de Corumbá, em 2010. A festa é realizada anualmente em 23 de junho e reúne cortejo de andores, música dos cururueiros e o momento central em que a imagem é imersa nas águas do Rio Paraguai. Passa a integrar a lista ao lado de manifestações como o Círio de Nazaré e o São João de Campina Grande.

O que ver no centro histórico e nas margens do Rio Paraguai?
O Porto Geral é o principal cartão-postal da cidade e reúne casarões dos séculos XIX e XX que abrigavam armazéns, cassinos e residências dos comerciantes da época áurea. O pôr do sol às margens do Rio Paraguai é o ritual do dia. Veja abaixo os principais pontos:
- Porto Geral: conjunto arquitetônico centenário na região portuária, com casarões restaurados e vista para o Rio Paraguai.
- Museu de História do Pantanal (Muhpan): sediado em construção de 1876, apresenta oito mil anos de história do povo pantaneiro, dos indígenas à navegação fluvial.
- Cristo Rei do Pantanal: escultura no topo do Morro do Cruzeiro, com vista panorâmica da cidade e do rio.
- Igreja Nossa Senhora da Candelária: inaugurada em 1885, com brasão da coroa portuguesa no altar.
- Forte Junqueira: única fortificação militar do país ainda em atividade, construída no século XIX.
- Estrada Parque do Pantanal: rota que corta a planície alagada com paradas para observação de fauna.
Quem quer conhecer a principal porta do Pantanal, vai curtir esse vídeo do canal DEVA NO AR, com mais de 56 mil visualizações, que mostra os destaques de Corumbá:
Qual é a melhor época para visitar o Pantanal?
O ciclo das águas define o calendário. A cheia, entre novembro e abril, alaga boa parte do bioma e concentra a reprodução de peixes. A seca, entre maio e outubro, expõe salinas, atrai mamíferos aos rios remanescentes e facilita o avistamento de fauna. Confira abaixo as estações:
Temperaturas aproximadas com base no Climatempo. Condições podem variar.
Como chegar a Corumbá?
A cidade fica a 430 km de Campo Grande, com acesso pela BR-262. O Aeroporto Internacional de Corumbá recebe voos regionais, e a maior parte dos visitantes chega via Aeroporto Internacional de Campo Grande e segue por ônibus ou carro. Também é possível cruzar a fronteira com Puerto Suárez, na Bolívia, ligada por rodovia direta.
Conheça a Capital do Pantanal
Corumbá é a demonstração de que um município pode viver simultaneamente no tempo colonial e no tempo pantaneiro. As ladeiras que ainda descem até o porto guardam as pedras que viram passar barcos vindos da Europa, e as planícies logo atrás abrigam a maior concentração de fauna silvestre da América do Sul.
Você precisa subir uma ladeira do Porto Geral ao fim da tarde e entender por que os viajantes chamam essa cidade de a mais poética do Centro-Oeste brasileiro.
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