Ford demitiu um funcionário de 60 anos por causa de um biscoito de R$ 10 e teve que pagar R$ 143 mil
O caso terminou com uma condenação e uma indenização de valor elevado.
Uma compra pequena dentro de uma fábrica terminou em demissão, documentos autenticados e uma oferta para voltar ao trabalho. O eletricista Kurt Kromm, de 60 anos, foi afastado após ser acusado de não pagar US$ 1,95 por um cookie (em torno de 10 reais na conversão direta). Depois de apresentar o registro bancário, a Ford autorizou seu retorno, mas ele decidiu seguir em outro emprego.
Quem é Kurt Kromm e onde ele trabalhava?
Kromm era eletricista da Kentucky Truck Plant, em Louisville, nos Estados Unidos, havia 11 anos. Ele contou à reportagem original que trabalhava em diferentes áreas da fábrica, incluindo manutenção de robôs, equipamentos e sistemas elétricos.
A página oficial das fábricas da Ford informa que a unidade produz caminhonetes Super Duty, o Ford Expedition e o Lincoln Navigator. Em janeiro de 2026, o local tinha cerca de 8.790 empregados.
Kromm também afirmou que cumpria, em média, 60 horas semanais e recebeu mais de US$ 200 mil em 2025. Esses dados vêm do relato dele, não de documentos públicos da montadora.

Como uma compra de US$ 1,95 virou demissão?
O caso começou quando o terminal de pagamento exibiu uma falha durante a madrugada. Kromm disse que tentou outro quiosque, passou o cartão novamente e consumiu o produto acreditando que a cobrança havia sido concluída.
Os quiosques eram mantidos pela Aramark. A reportagem original do Shifting Gears, assinada por Phoebe Wall Howard, reuniu entrevistas e documentos para reconstruir a sequência:
O que aconteceu depois que ele apresentou o comprovante?
A situação mudou quando o registro do cartão mostrou uma cobrança feita no mesmo horário da compra. Mesmo assim, Kromm afirmou que precisou apresentar cópias autenticadas dos documentos antes que o caso fosse revisto.
Os principais acontecimentos depois da entrega das provas foram:
- Comprovante enviado: a imagem da transação foi encaminhada à Ford e ao sindicato.
- Documento autenticado: a empresa pediu uma cópia bancária com reconhecimento formal.
- Confirmação da operadora: a Aramark confirmou que o pagamento havia sido processado.
- Oferta de retorno: a Ford marcou a volta para o turno original em 22 de junho.
- Pagamento retroativo: Kromm recebeu 2 cheques que somavam US$ 28 mil (em torno de 143 mil reais na conversão), abaixo dos cerca de US$ 33 mil que esperava.
O valor foi apresentado como pagamento pelos salários perdidos durante o afastamento. Não há indicação de processo judicial ou indenização determinada por tribunal.

O novo emprego realmente pagava mais?
Segundo Kromm, o novo trabalho pagava mais por hora e ficava perto de sua casa. O nome do novo empregador e os documentos salariais não foram divulgados pela reportagem.
Os valores abaixo foram declarados pelo trabalhador ao Shifting Gears e devem ser tratados como relato pessoal:
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O que Ford, Aramark e os sindicatos disseram?
A Ford não comentou os detalhes individuais, mas sua porta-voz afirmou que algumas situações podem ter sido conduzidas de outra maneira. Ela acrescentou que a empresa tenta corrigir esses casos quando identifica um problema.
A Aramark declarou que coopera com investigações desse tipo. O UAW não respondeu aos pedidos iniciais da reportagem. Kromm também era associado ao IBEW Local 369, onde afirmou ter conseguido uma nova colocação poucos dias depois.
A empresa ofereceu o retorno, mas a relação de confiança já havia sido rompida.
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