A capital brasileira onde o botijão de gás é mais caro e a diferença passa de dezenas de reais
O botijão mais caro do país está no interior gaúcho, a R$ 161, mas entre as capitais quem paga mais é Porto Alegre, e a distância para as capitais mais baratas passa de vinte reais pelo mesmo produto.
O botijão de 13 kg é o mesmo produto de Norte a Sul: mesmo peso, mesmo gás, mesma norma. Mas o que se paga por ele varia de forma que assusta quando os números são colocados lado a lado. Entre a capital mais barata e o ponto mais caro do país, a diferença pelo mesmo botijão passa de R$ 50. E há uma confusão comum sobre onde está o gás mais caro, que vale desfazer. Aqui estão os números desta semana.
Qual é o preço médio nacional?
O dado mais recente da ANP é o ponto de partida para comparar qualquer capital.
Segundo o Levantamento de Preços da ANP, o preço médio do gás de cozinha ficou em R$ 114,66 o botijão de 13 quilos, alta de 0,5% sobre a semana anterior. É a média nacional, e ela esconde extremos grandes para os dois lados.
Onde está o botijão mais caro?
Aqui está a confusão que vale esclarecer logo de início.
O ponto mais caro do país, no mesmo levantamento, foi Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, a R$ 161,00. Mas Uruguaiana não é capital: é um município do interior gaúcho, na fronteira. Ou seja, o botijão mais caro do Brasil e a capital mais cara são coisas diferentes, e misturar as duas é o erro mais comum na hora de comparar.
E entre as capitais?
Feita a distinção, a liderança das capitais tem endereço no Sul.
Levantamentos recentes apontam Porto Alegre entre as capitais com o botijão mais caro, com a ANP registrando preço médio de R$ 118,32 na região da capital gaúcha. É bem acima da média nacional de R$ 114,66, e a distância para as capitais mais baratas passa de dezenas de reais.
Por que o Sul paga mais?
Parece contraintuitivo, e a explicação combina distância e mercado.
As refinarias e centrais de distribuição da Petrobras estão concentradas no Sudeste e no Nordeste. Quanto mais longe delas, maior o custo de frete embutido no botijão. Cidades de fronteira e do interior gaúcho, distantes dos polos, acumulam esse custo logístico. Some a menor concorrência em algumas praças e o preço sobe.

Quais capitais são mais baratas?
No outro extremo, o Nordeste costuma levar vantagem, por estar perto da produção.
Recife aparece com frequência entre as capitais mais baratas do país, justamente pela proximidade das refinarias. A diferença entre uma capital nordestina e Porto Alegre pelo mesmo botijão de 13 kg supera facilmente os R$ 20, e chega a mais quando se compara com os pontos mais caros do interior.
O que compõe o preço?
O valor no balcão é uma soma de parcelas, e só parte fica com a revenda.
Segundo dados da ANP para abril de 2026:
- R$ 39,18: preço do produtor.
- R$ 19,11: tributo estadual, o ICMS.
- R$ 52,09: margens de distribuição e revenda.
- O ICMS varia de estado para estado.
- A concorrência local aperta ou afrouxa as margens.
Por que a margem é a maior parte?
Este é o dado que surpreende quem culpa só a Petrobras.
As margens de distribuição e revenda somam mais que o próprio preço do produtor. É nesse trecho, entre a saída da distribuidora e o seu portão, que mora boa parte da diferença entre uma cidade e outra, e entre uma revenda e a vizinha. Por isso pesquisar rende: você está comparando justamente a parte que mais varia.
Quanto varia dentro da mesma cidade?
Muito, e é aqui que o consumidor tem poder real.
A diferença entre revendas de uma mesma capital costuma superar R$ 20. Ou seja, mesmo morando na capital mais cara, dá para pagar menos que a média nacional se comparar antes de pedir. Ligue para duas ou três revendas da sua região, ou use aplicativos de comparação de preço, e confirme sempre se o valor inclui a entrega.

Como a ANP levanta isso?
Não é estimativa: é pesquisa de campo semanal, com base legal.
Em cumprimento à Lei nº 9.478/1997, a Lei do Petróleo, a ANP acompanha semanalmente os preços praticados por revendedores em centenas de municípios, com planilhas por Brasil, região, estado e cidade. Dá para baixar o arquivo e filtrar a sua capital, vendo preço mínimo, máximo e médio.
E o Gás do Povo?
Para parte das famílias, a conta muda por completo.
O programa federal substitui gradualmente o pagamento em dinheiro por um vale-recarga, permitindo a retirada do botijão em revendas credenciadas. O preço de referência é atualizado periodicamente e acompanha as variações da ANP, protegendo o beneficiário quando o gás sobe. O programa tem limite de alcance, mirando as famílias de menor renda.
Vale a pena estocar?
A resposta é sobre organização, não sobre especulação.
O botijão não estraga, mas a variação semanal costuma ser de centavos, então estocar por medo de alta rende pouco. O que rende de verdade é comparar antes de cada compra, já que a diferença entre revendas na mesma cidade supera qualquer oscilação de mercado. É o mesmo princípio de pedir três orçamentos antes de fechar qualquer serviço: o primeiro preço raramente é o melhor. E cortar reais no gás soma com outras despesas fixas, como a conta de luz, no fim do mês.
O que convém lembrar sobre o botijão mais caro
A média nacional desta semana é de R$ 114,66, e o ponto mais caro do país foi Uruguaiana, no interior do Rio Grande do Sul, a R$ 161,00, que não é capital. Entre as capitais, Porto Alegre aparece na ponta cara, com média em torno de R$ 118,32, puxada pela distância das refinarias. A diferença para as capitais mais baratas, como Recife, passa de R$ 20. Como as margens são a maior fatia do preço, comparar revendas antes de pedir é o que mais economiza.
Este conteúdo tem finalidade informativa e reflete o levantamento da ANP da semana citada. Os preços mudam semanalmente e variam entre revendas; consulte a pesquisa mais recente no site da agência antes de usar qualquer valor como referência.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)