Leonardo Barreto na Crusoé: Lula colhe maior derrota diplomática da sua história
Quando os resultados da guerra comercial se mostrarem, aí é o momento de fazer as pesquisas de opinião
A essa altura, qualquer analista júnior sabe que os EUA estão trabalhando objetivamente para transformar as Américas em sua zona de influência.
O governo brasileiro também compreende isso. Mas ainda não considera essa situação um fato consolidado. Ele tem a esperança de que o Partido Republicano perca as eleições de meio de mandato e o presidente Donald Trump não tenha meios políticos de levar a cabo esse projeto.
As ordens de Lula para o Itamaraty, refletidas no comportamento dos negociadores, sempre foram no sentido de “enrolar” Trump, considerando que aquilo que fosse concedido agora seria dado como perdido e difícil de ser reavido depois, mesmo sob um governo democrata.
Nesse sentido, Marco Rubio não está de todo errado quando diz que não houve disposição do governo brasileiro em fazer a negociação.
Roberto Azevêdo, ex-OMC, de forma polida, disse que a atuação de Lula foi míope porque não reconheceu que o governo americano queria concessões, e não uma negociação de fato, caminho que outros países já trilharam.
Na verdade, o governo Lula se recusou a ceder. E tentou tirar dividendos eleitorais dessa resistência, fazendo agressões unilaterais contra Trump em toda a oportunidade que encontrou.
Reflete uma certa ignorância dizer que Lula vai tirar dividendos políticos dessa confusão, porque as pessoas gostam quando ele confronta Trump.
O motivo é o fato de que a pesquisa se dá em um contexto no qual as pessoas ainda não sentiram as consequências dessa briga e nem têm ideia delas.
Quando os resultados da guerra comercial se mostrarem, aí é o momento de fazer as pesquisas de opinião.
E, quando isso…
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