Alckmin garante que Brasil segue “na mesa de negociação” com EUA após tarifaço
Vice-presidente classificou tarifa de 25% sobre produtos brasileiros como "injusta e descabida"
O vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou nesta sexta-feira, 17, que o Brasil não deixou a “mesa de negociação” com os Estados Unidos após a confirmação do tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros.
Alckmin voltou a classificar a medida como “injusta e descabida” e defendeu a continuidade do diálogo entre os dois países.
“A medida é injusta e descabida porque eles têm superávit conosco. Quem deveria aumentar a tarifa somos nó. O Brasil defende livre comércio, regras da OMC [Organização Mundial do Comércio]. Então, para o futuro, e já estamos fazendo [isso], primeiro é manter o diálogo e a mesa de negociação. Nós não saímos da mesa de negociação.”
A “guerra da palavra” de Lula
Já o presidente Lula afirmou que deseja travar a “guerra da palavra” com o presidente Donald Trump ao comentar sobre o tarifaço.
Segundo o petista, seu objetivo é “provar ao mundo” que o Brasil “está dizendo a verdade” na disputa comercial entre os dois países.
“Vocês da imprensa devem ter estranhado que eu não falei do tarifaço. Vocês perceberam? Eu não falei do tarifaço, porque até agora o Trump não falou do tarifaço. Quem falou do tarifaço foi o pessoal do segundo escalão dele. E o meu pessoal já respondeu hoje. Quando o Trump falar, eu vou falar. Quando ele falar, eu vou falar. De presidente para presidente. Eu já falei três vezes ao presidente Trump que o Brasil não tem nenhum interesse em fazer guerra. O Brasil não tem nenhum interesse. Nós aqui somos da paz. Nós somos da paz. Agora, a guerra que eu quero fazer com ele é a guerra da narrativa. É a guerra da verdade. Eu quero provar ao mundo quem está dizendo a verdade nessa guerra tarifária entre Brasil e Estados Unidos. Então, ele vai ter que aprender a fazer guerra com outra arma, que é a arma da palavra“, disse durante visita ao Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (INTO), no Rio de Janeiro.
Mais cedo, em outro evento no Rio, o petista evitou comentar sobre o tema.
“Vocês percebem que eu falei para caramba e não falei do tarifaço? Não vou falar, porque a notícia tem que ser o SUS. A notícia tem que ser as nossas carretas, o tratamento das mulheres. Por isso, eu vou deixar para falar do tarifaço quando o Trump falar. Quando o Trump falar, eu falarei. Enquanto ele não falar, eu não falarei, pois eu vou mostrar que contra o Brasil ninguém ganha mentindo. Ou é mais verdadeiro do que nós ou vai enganar a sociedade brasileira”, afirmou.
USTR
O novo tarifaço de 25% foi confirmado na noite de quarta-feira 15, pelo representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, durante entrevista à imprensa.
A decisão foi assinada por Trump após recomendação do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
A tarifa é resultado de uma investigação do USTR, que teve início em julho de 2025.
Neste ano, Greer propôs a imposição de novas tarifas de 25% sobre todas as importações do Brasil no âmbito da Seção 301 da Lei de Comércio americana. Essa é uma ferramenta que permite que os Estados Unidos investiguem outras nações contra práticas comerciais consideradas injustas.
O órgão americano alega que políticas brasileiras sobre comércio digital, tarifas preferenciais, combate à corrupção, patentes, pirataria, etanol e desmatamento ilegal geram insegurança jurídica e competição desleal aos players dos EUA.
Greer, por exemplo, referiu-se ao Pix como um “campeão nacional” que “promove condições desleais de competição no comércio eletrônico”.
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Comentários (1)
Marian
17.07.2026 20:03Está negociando? Não está sendo bem sucedido ... E com a China? 55% não é?