Erika banca projetos culturais, mas deixa saúde do DF de fora
Governadora Celina Leão afirma que deputada destinou "zero real" para a saúde do DF e priorizou projetos culturais e organizações sociais
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), criticou a destinação das emendas parlamentares da deputada federal Erika Kokay (PT-DF) e afirmou que a petista não reservou recursos para a saúde pública da capital federal este ano de 2026. Em vídeo divulgado nesta sexta-feira, 17, Celina afirmou que a petista “colocou zero de real na saúde pública aqui do DF” e criticou o que classificou como política baseada em discursos, e não em resultados.
“É muito bonito fazer críticas e narrativas, mas trabalho de verdade, efetividade, não se sustenta só com narrativa”, declarou a governadora ao comentar a execução das emendas parlamentares da deputada.
O embate ganhou força após a divulgação de dados da Comissão Mista de Orçamento (CMO), que mostram que Erika empenhou 28,3 milhões de reais em emendas neste ano sem destinar verbas diretamente à rede pública de saúde do Distrito Federal.
A maior parte dos recursos foi direcionada para projetos culturais e organizações da sociedade civil. Uma das principais emendas, de 10,43 milhões de reais, foi destinada ao Fundo Nacional de Cultura, que financia dezenas de entidades do Distrito Federal.
Entre os beneficiários aparecem organizações como Distrito Drag, Associação Carnavalesca Bloco Afro Obara, além de institutos culturais, associações de moradores e outras organizações sociais.
Outra emenda de destaque prevê 14,83 milhões de reais para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), destinada à ação “Educação e Trabalho na Saúde”. Apesar da vinculação da fundação ao setor, os recursos não foram direcionados ao atendimento da rede pública do DF, mas a um programa educacional executado pela Fiotec. Até o momento, apenas 1,745 milhão de reais havia sido liquidado e nenhum valor havia sido pago.
O levantamento também aponta situações incomuns na execução orçamentária. Uma das emendas registra um favorecido identificado apenas como “Código inexistente no Siafi”, que recebeu 120 mil reais integralmente empenhados, liquidados e pagos. Em outro caso, há uma destinação de 100 mil reais para um beneficiário descrito como “Sem informação”, sem execução financeira.
Além das organizações culturais, as emendas de Erika Kokay contemplam entidades ligadas à promoção dos direitos das mulheres, pessoas idosas, pessoas com deficiência, população LGBTQIA+, economia solidária, esporte e assistência social, ampliando o debate político sobre as prioridades da parlamentar na destinação dos recursos federais ao Distrito Federal.
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