O planeta infernal onde o ano termina em apenas 8 horas e o chão pode ser um imenso mar de lava
Pouco maior que a Terra, esse mundo corre tão perto de sua estrela que desafia as teorias sobre a formação dos planetas
Há mundos tão próximos de suas estrelas que parecem desafiar as regras usadas para explicar a formação dos planetas. Em um deles, o intervalo que chamamos de ano termina antes mesmo de completar uma jornada comum de trabalho na Terra, enquanto a paisagem provavelmente permanece coberta por rocha derretida.
Como um planeta pode completar o ano em poucas horas?
Na Terra, o ano dura cerca de 365 dias porque esse é o tempo necessário para percorrer toda a órbita ao redor do Sol. Quanto mais perto um planeta está de sua estrela, menor costuma ser o caminho orbital e maior pode ser sua velocidade. Em casos extremos, a volta completa deixa de ser medida em meses ou dias.
Esse mundo está separado de sua estrela por cerca de 1,5 milhão de quilômetros. Para comparação, Mercúrio permanece a dezenas de milhões de quilômetros do Sol. Em uma órbita tão apertada, o planeta se desloca em uma velocidade enorme e completa uma volta em aproximadamente 8 horas e 31 minutos.
Por que Kepler-78b provavelmente possui um chão de lava?
Kepler-78b recebe uma quantidade brutal de radiação porque praticamente raspa sua estrela em termos astronômicos. As estimativas para o lado iluminado variam conforme o modelo usado, mas podem alcançar entre 2.300 e 3.100 kelvins. Isso corresponde a temperaturas capazes de derreter muitos dos minerais encontrados nas rochas terrestres.
Por causa desse calor, os astrônomos consideram provável a existência de regiões extensas de magma na face voltada para a estrela. Não está comprovado, porém, que exista um oceano global com centenas de quilômetros de profundidade. A descrição mais segura é a de um planeta rochoso cuja superfície diurna pode permanecer parcial ou amplamente derretida.
- O ano dura aproximadamente 8 horas e 31 minutos
- O planeta possui cerca de 1,2 vez o raio da Terra
- Sua massa é estimada em aproximadamente 1,7 massa terrestre
- A órbita fica a cerca de 0,009 unidade astronômica da estrela
- O lado diurno pode atingir milhares de graus
Para complementar o tema, o vídeo abaixo apresenta uma explicação visual sobre Kepler-78b, sua órbita de apenas 8,5 horas e as condições extremas esperadas em sua superfície:
Como os astrônomos descobriram um mundo tão distante?
O planeta foi identificado em dados do telescópio espacial Kepler, equipamento criado para acompanhar o brilho de milhares de estrelas. Quando um planeta passa na frente de sua estrela, bloqueia uma fração minúscula da luz. Se essa queda se repete em intervalos regulares, os pesquisadores conseguem calcular o período orbital e estimar o tamanho do objeto.
A descoberta exigiu uma busca específica porque os métodos automáticos usados inicialmente não estavam preparados para reconhecer com facilidade uma órbita tão curta. A cada 8,5 horas, o brilho da estrela apresentava a mesma pequena redução. Observações posteriores mediram o movimento causado pela gravidade do planeta e ajudaram a calcular sua massa.
O que torna Kepler-78b parecido com a Terra?
Apesar do cenário infernal, Kepler-78b chamou atenção por apresentar dimensões e densidade relativamente próximas das terrestres. Ele é classificado como uma super-Terra, mas está longe de ser uma segunda casa para a humanidade. A semelhança está principalmente na composição provável, formada por rocha e ferro, e não nas condições ambientais.
Segundo o catálogo de exoplanetas da NASA, o planeta possui aproximadamente 1,68 vez a massa da Terra e 1,2 vez seu raio. Esses números indicam uma densidade compatível com um corpo rochoso, diferente de gigantes gasosos como Júpiter e Saturno.
| Característica | Dado aproximado |
|---|---|
| Tipo de planeta | Super-Terra rochosa |
| Período orbital | 8 horas e 31 minutos |
| Massa | Cerca de 1,68 massa terrestre |
| Raio | Aproximadamente 1,2 raio terrestre |
| Distância da estrela | Cerca de 0,009 unidade astronômica |
Por que esse planeta não deveria existir naquela órbita?
Os modelos tradicionais indicam que um planeta rochoso não conseguiria se formar exatamente onde ele está hoje. Durante a juventude da estrela, aquela região teria sido ainda mais quente e provavelmente ocupada pela própria atmosfera estelar. Os materiais necessários para montar um planeta sólido dificilmente permaneceriam reunidos tão perto.
Uma possibilidade é que o mundo tenha surgido em uma órbita mais distante e migrado depois. Interações gravitacionais com outros planetas, com o disco de matéria do sistema ou com uma estrela companheira poderiam ter empurrado o corpo para dentro. Também existe a hipótese de que ele seja o núcleo exposto de um planeta maior que perdeu suas camadas externas.

Quanto tempo ainda resta para Kepler-78b?
Kepler-78b está tão perto de sua estrela que as forças de maré podem alterar lentamente sua órbita. A gravidade estelar também mantém o planeta provavelmente travado, com um hemisfério voltado permanentemente para a luz e o outro mergulhado em uma noite muito diferente. A passagem entre essas duas regiões deve produzir contrastes térmicos extremos.
Em algum momento, o planeta poderá se aproximar o suficiente para ser destruído ou absorvido pela estrela. As estimativas costumam falar em bilhões de anos, e não em um desaparecimento próximo. Até lá, ele permanece como um laboratório natural: um mundo pouco maior que a Terra, correndo ao redor de sua estrela tão depressa que três anos locais passam antes de terminar um único dia terrestre.
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