Rotas coincidentes explicam colisão de helicópteros no Rio
Relatório preliminar do Cenipa aponta que aeronaves seguiam o mesmo corredor aéreo no momento do choque
Um relatório preliminar da Aeronáutica revelou que os dois helicópteros que colidiram sobre o Recreio dos Bandeirantes, na zona sul do Rio de Janeiro, no dia 14 de junho de 2026, seguiam trajetos e altitudes idênticos previstos em seus planos de voo.
O documento, elaborado pelo Cenipa (Centro de Investigações e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), órgão vinculado à Força Aérea Brasileira, também constatou que uma das aeronaves nunca apareceu nos radares e que nenhuma delas contava com equipamentos de gravação de dados. O acidente deixou seis mortos.
Impacto ocorreu em rota compartilhada
As duas aeronaves trafegavam pelas Rotas Especiais de Helicópteros conhecidas como Praia e Grota, corredores visuais definidos pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) para organizar o tráfego na região. Segundo o relatório do Cenipa, “durante o voo em rota, ocorreu a colisão em voo, entre as posições Tachas e Piabas”.
Um dos helicópteros, prefixo PP-MAC, modelo Bell 206B fabricado em 1999, tinha como destino Angra dos Reis e não foi captado em nenhum momento pelos radares do Sistema de Controle do Espaço Aéreo Brasileiro (Sisceab). Já o PR-DJJ, um AS 350 B2 de 2012 que havia partido do aeroporto Santos Dumont rumo à região serrana, foi monitorado até instantes antes do choque, voando a 800 pés de altura e cerca de 200 km/h.
Nenhuma das aeronaves possuía gravador de dados de voo ou de voz de cabine, o que dificulta a reconstrução exata dos últimos instantes antes da colisão.
O helicóptero saído do Santos Dumont contava com um sistema de alerta de tráfego, recuperado em bom estado, mas cuja utilidade ainda está sendo avaliada. De acordo com o Cenipa, “ainda estão sendo conduzidos exames complementares no sentido de verificar se o dispositivo possui algum dado armazenado em sua memória”.
Condições de voo eram favoráveis
O relatório descarta problemas climáticos como fator determinante: o tempo estava propício ao voo visual, sem restrições de visibilidade e com vento fraco. Os dois pilotos tinham licenças válidas, e as aeronaves possuíam certificados de aeronavegabilidade em dia.
Morreram no acidente os pilotos Alexandre Souza e Charles Marsilac, além dos passageiros Gaspar Prim, Lucas Brito Chaves Frota, Lucas Vignale e o cantor norte-americano Oliver Tree. Com exceção de Marsilac, todos seguiam no helicóptero que partia para Angra dos Reis.
O Cenipa não estabeleceu prazo para a divulgação do relatório final e ressalva que as conclusões preliminares podem sofrer alterações até lá.
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