Governo prepara resposta a novo tarifaço dos EUA
Grupo de ministros avalia aplicar lei de reciprocidade caso Trump confirme sobretaxas contra produtos brasileiros até quarta-feira
Ministros do governo Lula devem propor ao presidente a adoção de medidas de retaliação comercial contra os Estados Unidos, caso a Casa Branca confirme novas tarifas sobre produtos brasileiros. A informação foi dada nesta terça-feira, 14, pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, após reunião entre autoridades brasileiras e americanas que não alterou as expectativas do Palácio do Planalto.
A decisão final dos Estados Unidos, que investiga práticas comerciais do Brasil, é esperada para esta quarta-feira, 15.
Lei de 2025 permite retaliação
Uma legislação aprovada pelo Congresso Nacional em 2025 autoriza o Executivo brasileiro a aplicar sobretaxas de importação, suspender acordos comerciais e, em situações excepcionais, restringir patentes e royalties como resposta a medidas que prejudiquem a economia nacional.
Durigan disse que “o processo de reciprocidade foi iniciado no passado. A gente chegou a suspender a tramitação, seguindo a lei do Congresso Nacional, quando houve uma espécie de volta atrás do tarifaço. Com isso agora, acho que é provável que a gente, uma vez consultado o presidente Lula, retome o processo de reciprocidade”.
A expectativa no entorno presidencial é a de que os americanos apliquem uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. A mesma estratégia de reciprocidade já havia sido cogitada em 2025, durante a primeira rodada de tarifas impostas por Trump, mas acabou não sendo colocada em prática.
Prevaleceu à época a avaliação de que taxar bens americanos elevaria a inflação doméstica e reduziria a competitividade da indústria nacional, que depende de insumos importados dos Estados Unidos.
Disputa tarifária ganha peso eleitoral
O impasse comercial também repercute na política interna e deve figurar entre os temas centrais da campanha eleitoral deste ano. Governistas associam as tarifas ao senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, e passaram a chamá-lo de “Tarifllávio” para relacioná-lo à política comercial americana perante o eleitorado.
Em 2025, ao anunciar as primeiras sobretaxas, Trump havia associado a medida ao processo que resultou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos, é apontado como atuante contra o governo brasileiro junto às autoridades americanas.
Há ainda uma hipótese considerada pouco provável nos bastidores: o adiamento da decisão tarifária por parte de Washington. Nesse caso, aliados de Flávio Bolsonaro tentariam atribuir o resultado às gestões do senador, que solicitou formalmente aos Estados Unidos a não aplicação das tarifas.
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