Onde a conta de luz é mais cara no Brasil: o ranking das distribuidoras em 2026
Cooperativas do Rio de Janeiro cobram mais de R$ 1,40 por kWh enquanto o Rio Grande do Sul parte de R$ 0,41 — e o Norte, onde levar energia custa mais caro, não lidera o ranking.
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Por que duas casas iguais podem pagar contas muito diferentes.
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O motivo de o Norte não liderar o ranking das tarifas.
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Quais fatores realmente pesam no preço do kWh.
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Como descobrir a tarifa efetiva paga na sua própria conta.
Duas famílias com o mesmo consumo, o mesmo chuveiro e a mesma geladeira podem pagar contas de luz muito diferentes — e a explicação não está no comportamento delas, mas no CEP. A tarifa de energia varia conforme a distribuidora que atende cada região, e a diferença entre a mais cara e a mais barata do país passa de R$ 0,25 por kWh. Aqui explicamos o que diz o ranking das distribuidoras da ANEEL, por que a lógica não é a que se imagina e como descobrir exatamente quanto você paga.
Quem define o preço da energia no Brasil?
A conta não é fixada pela distribuidora. Ela é homologada por resolução do regulador, com metodologia própria e prazo de vigência definido.
É a ANEEL que publica o ranking das tarifas vigentes homologadas, em R$/kWh. Cada concessão tem uma data de aniversário, e é nela que ocorre o reajuste ou a revisão anual — por isso as distribuidoras não sobem preço todas ao mesmo tempo.
Qual estado tem a energia mais cara?
O Rio de Janeiro concentra as tarifas convencionais mais altas do país, puxadas por cooperativas de pequeno porte que atendem áreas específicas.
Os extremos do ranking:
- Ceres (RJ): cerca de R$ 1,47/kWh, a mais cara do país.
- CERCI (RJ): cerca de R$ 1,34/kWh.
- Ceral Araruama (RJ): cerca de R$ 1,32/kWh.
- Entre as grandes concessionárias, a Enel SP opera perto de R$ 0,91/kWh com impostos.
- No outro extremo, o Rio Grande do Sul registra tarifa convencional a partir de R$ 0,41/kWh.

Por que o Norte não é o mais caro?
Este é o paradoxo que quebra a intuição. A região com o maior custo real de distribuição não é a que tem a maior tarifa.
A Amazonas Energia atende uma área gigantesca com poucos consumidores por quilômetro de rede — o custo por cliente é altíssimo. Mas esse custo é bancado por subsídios federais para manter a tarifa acessível. O resultado é que estados mais ricos, sem esse mecanismo, podem pagar mais caro pelo kWh do que a região onde levar energia é mais difícil.
O que faz uma tarifa ser mais cara que a outra?
O preço final é uma soma de fatores, e a eficiência da empresa é apenas um deles.
Pesam na conta:
- ICMS, com alíquota definida por cada estado.
- Distância entre as usinas e os consumidores, que encarece a transmissão.
- Densidade de consumidores por quilômetro de rede.
- Perdas por furto de energia, repassadas a quem paga em dia.
- Dependência de termelétricas, mais caras que hidrelétricas e eólicas.
Por que a conta subiu tanto em 2026?
Os reajustes deste ano vieram acima da inflação em boa parte do país, e a razão principal não é o custo da energia em si.
Em abril, a ANEEL aprovou altas de 5% a 15% para oito distribuidoras, com destaque para CPFL Santa Cruz (15,12%), CPFL Paulista (12,13%) e Energisa MS (12,11%). O motor da alta é a Conta de Desenvolvimento Energético, o fundo que custeia políticas públicas do setor: passou de R$ 49,2 bilhões em 2025 para uma proposta de R$ 52,7 bilhões em 2026. Não à toa, a conta de luz foi o subitem de maior impacto individual na inflação de 2025, com alta de 12,31%.

A tarifa do ranking é o que você paga?
Não — e confundir os dois é o erro mais comum de quem tenta comparar. A tarifa homologada do ranking é o valor “limpo”.
Ela não inclui ICMS, PIS/Pasep, Cofins, taxa de iluminação pública nem o adicional de bandeira tarifária. Sua conta real é a tarifa somada a tudo isso. A bandeira, definida mensalmente, acrescenta cerca de R$ 0,018/kWh na amarela e valores maiores nas vermelhas. Para saber sua tarifa efetiva, divida o valor total da fatura pelo consumo em kWh do mês.
É comum comparar o ranking da ANEEL com a própria conta e encontrar valores diferentes. Isso acontece porque o ranking utiliza a tarifa homologada, enquanto a fatura inclui tributos, encargos e eventuais adicionais de bandeira tarifária. :contentReference[oaicite:1]{index=1}
O que dá para fazer com essa informação?
Trocar de distribuidora não é opção para o consumidor residencial: a concessão é territorial. Mas saber sua tarifa muda decisões concretas.
Numa tarifa alta, cada kWh economizado vale mais, e o payback de sistemas solares encurta. Também muda o cálculo de aparelhos: numa região cara, o chuveiro elétrico pesa muito mais na fatura. E vale checar se a instalação está desperdiçando energia — mau contato e fiação subdimensionada geram perda por calor, um problema comum em casas cuja parte elétrica foi economizada na obra. Quem tem direito à Tarifa Social deve verificar o cadastro: o desconto existe e é subutilizado. Se preferir, dá até para pagar a conta de luz com cartão de crédito e organizar o fluxo do mês.
O que convém lembrar sobre o ranking das tarifas
A conta de luz mais cara do Brasil está no Rio de Janeiro, com cooperativas passando de R$ 1,40/kWh, enquanto o Rio Grande do Sul tem tarifas a partir de R$ 0,41/kWh. O Norte, apesar do maior custo de distribuição, não lidera o ranking por causa dos subsídios federais. Em 2026 os reajustes chegaram a 15%, puxados pelos encargos da CDE e não pelo preço da energia. E lembre-se: a tarifa do ranking não inclui impostos nem bandeira — sua tarifa real é a fatura dividida pelo consumo.
Este conteúdo tem finalidade informativa e reflete tarifas homologadas nas datas citadas. Os valores mudam a cada ciclo tarifário; consulte o ranking atualizado no site da ANEEL para a sua distribuidora.
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