“Ninguém pode aceitar um filho não visitar um pai”, diz Valdemar
Presidente do PL acredita que decisão de Moraes ajudará Flávio Bolsonaro a subir nas pesquisas
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, lamentou nesta terça-feira, 14, a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de proibir o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro durante um período de 90 dias.
Valdemar, porém, afirmou que a medida ajudará o senador a crescer nas pesquisas presidenciais.
“Ninguém pode aceitar um filho não visitar um pai. Então, isso favoreceu o Flávio, não tenho dúvida disso. Isso vai aumentar, você pode ter certeza que vai aumentar o percentual do Flávio [nas pesquisas], como tem aumentado. Hoje, o Flávio está na frente. O Lula está atrás. Nós tivemos uma queda, nós demos um salto e o Flávio já está liderando novamente. Acho que daqui para a frente é só crescimento. Essas atitudes só crescem o Flávio.”
Com a decisão de Moraes, Flávio ficará impedido de visitar o pai até o fim do primeiro turno das eleições presidenciais.
Propaganda eleitoral antecipada?
Na segunda, 13, além de suspender as visitas de Flávio a Jair até as eleições, Moraes determinou que a defesa do ex-presidente esclareça, em 48 horas, se ele tinha conhecimento de que uma carta escrita durante a prisão domiciliar seria divulgada nas redes sociais do filho.
No despacho, Moraes encaminhou o caso ao procurador-geral eleitoral para apuração de eventual prática de propaganda eleitoral antecipada.
Segundo o ministro, Flávio utilizou o benefício de visita a Bolsonaro para obter um documento que tinha como finalidade exclusiva ser divulgado nas redes sociais, o que burlaria a proibição imposta ao ex-presidente de utilizar plataformas digitais, direta ou indiretamente.
“O contraste é evidente. Preso em 2018, Lula recebeu centenas de visitas e manteve interlocução política com seus aliados, inclusive Fernando Haddad. Durante a campanha eleitoral, manifestou-se publicamente por cartas, chegando a pedir votos para o candidato que o substituiu. Ainda preso, concedeu entrevistas à imprensa em 2019, e suas declarações repercutiram amplamente nas redes sociais”, disse Marinho sobre a decisão de Moraes.
“Não reivindicamos privilégios, mas igualdade perante a lei. Punir um filho e impedir o contato familiar porque ele tornou pública uma mensagem do pai representa uma grave tentativa de silenciamento”, acrescentou o parlamentar, que concluiu.
“Calar um preso dessa maneira é inconstitucional e representa a retomada de práticas próprias de regimes autoritários. Calar Bolsonaro é tentar calar a expressiva parcela da população brasileira que ele representa”.
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