Após quase 150 anos, 158 tartarugas gigantes retornam a uma ilha onde a espécie desapareceu e outras 542 já aguardam a mesma viagem
O primeiro grupo já percorre Floreana, enquanto o projeto acompanha a adaptação antes de ampliar a população planejada.
As tartarugas gigantes voltaram à ilha Floreana, em Galápagos, com a soltura de 158 jovens em fevereiro de 2026. O grupo inaugura uma operação planejada para levar 700 animais ao território, recuperando funções ecológicas perdidas após exploração humana e invasões biológicas.
Por que as tartarugas gigantes desapareceram de Floreana?
A população original foi eliminada no século XIX, quando navegadores e baleeiros capturavam os animais como alimento. Incêndios e mamíferos introduzidos agravaram a perda de habitat na ilha Floreana, área vulcânica de 173 quilômetros quadrados.
A contagem varia conforme o marco histórico: algumas cronologias falam em quase 150 anos desde a retirada dos últimos indivíduos, enquanto instituições conservacionistas registram mais de 180 anos de ausência desde a extinção local.

Como foi possível recuperar parte da linhagem original?
Pesquisadores localizaram no vulcão Wolf, na ilha Isabela, tartarugas híbridas com material genético de Floreana. A hipótese é que ancestrais tenham sido transportados por navegadores, preservando fragmentos de DNA por gerações.
Um programa de reprodução selecionou adultos geneticamente próximos e criou centenas de descendentes sob cuidados controlados. Os jovens permaneceram nos centros até alcançarem tamanho compatível com a sobrevivência diante de ratos, gatos e outras pressões.
Quatro etapas sustentaram o retorno ao ambiente ancestral:
O que representam as 158 tartarugas e as outras 542?
As 158 juvenis abrem um plano para estabelecer 700 tartarugas em Floreana. As 542 restantes deverão ser transferidas gradualmente, conforme a adaptação do primeiro grupo, a oferta de alimento e o controle de espécies invasoras.
A Fundação Charles Darwin registra a soltura em 20 de fevereiro de 2026 como parte de um projeto desenvolvido há mais de uma década com a comunidade local.
Os números mostram como a operação foi dividida:
Por que as tartarugas são decisivas para o ecossistema?
Tartarugas gigantes funcionam como engenheiras do ambiente. Ao abrir trilhas, consumir plantas e dispersar sementes, elas modificam a vegetação e ajudam espécies nativas a ocupar áreas anteriormente dominadas por invasoras.
O retorno também cria um indicador de recuperação. Crescimento, reprodução e ocupação de diferentes setores mostrarão se o controle de invasores e a restauração do habitat produziram condições duradouras.
Leia também: Motorista apresentou CNH digital na blitz e acabou precisando da física antes de ser liberado
Por que esse retorno importa para a conservação mundial?
O caso mostra que uma linhagem perdida pode recuperar presença ecológica quando sobrevivem descendentes híbridos identificáveis. O objetivo não é recriar uma população geneticamente pura, mas restaurar funções naturais e preservar parte de sua herança.
Floreana serve como teste para projetos realizados em ilhas habitadas, onde biodiversidade, agricultura e turismo precisam coexistir. O sucesso dependerá de décadas de monitoramento, reprodução, controle de invasores e participação dos moradores.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)