A maior tempestade solar já registrada fez operadores de telégrafo levarem choques e permitiu transmissões sem baterias
Um episódio solar extremo, registrado em 1859, segue como referência central para discutir a vulnerabilidade tecnológica atual
Um episódio solar extremo, registrado em 1859, segue como referência central para discutir a vulnerabilidade tecnológica atual.
Naquele período, uma intensa tempestade geomagnética associada a uma erupção solar afetou o telégrafo, gerando falhas, choques e pequenos incêndios. Hoje, com redes elétricas interligadas e forte dependência digital, um evento semelhante é visto como teste crítico de resiliência energética.
O que foi o Evento Carrington e por que é um marco?
O termo Evento Carrington descreve a grande tempestade geomagnética de 1859, observada pelo astrônomo inglês Richard Carrington. Dias após um brilho intenso no Sol, a Terra sofreu forte perturbação magnética, com auroras excepcionais e colapso parcial do telégrafo.
Relatos indicam auroras em baixas latitudes e linhas de telégrafo operando apenas com correntes induzidas. Isso evidenciou que condutores longos, como cabos e linhas de transmissão, funcionam como antenas naturais para variações intensas do campo magnético terrestre.
🟠🌞¿QUE FUE EL EVENTO CARRINGTON?🌞🟠
— 𝑴𝒚𝒔𝒕𝒆𝒓𝒚 𝑾𝒐𝒓𝒍𝒅 𝑵𝒆𝒘𝒔 (@mysteryWN) December 9, 2023
Estos dias la actividad de nuestro astro rey esta tomando una importancia inusual y muchos os estais preguntando sobre las consecuencias podria tener para nuestro planeta un suceso como el sucedido en 1859 conocido como "Evento Carrington"👇 pic.twitter.com/itxl9sH1XP
Como um novo Evento Carrington afetaria as redes elétricas atuais?
A física solar é a mesma, mas o planeta está muito mais eletrificado. A principal preocupação são as correntes geomagneticamente induzidas em linhas de alta tensão, que podem alcançar grandes transformadores e causar aquecimento, saturação e falhas.
Esses transformadores de potência são caros, pesados e frequentemente sob medida. Danos em larga escala podem gerar apagões prolongados, com reposição lenta. O blecaute de Quebec em 1989, causado por uma tempestade menor, é um alerta concreto.
O impacto de um Evento Carrington seria inevitavelmente catastrófico?
Estimativas econômicas variam de grandes prejuízos a cenários de colapso prolongado, dependendo dos modelos usados. A incerteza decorre da escassez de eventos extremos modernos e das diferenças entre sistemas elétricos nacionais.
De forma geral, destacam-se duas linhas de avaliação de risco, que ajudam a enquadrar o debate sobre o tamanho possível dos danos e o tempo de recuperação:
Cenário pessimista: falhas extensas em transformadores de alta tensão, com reposição em anos.
Cenário moderado: proteção por desligamentos controlados, com danos limitados e foco em manutenção.
Quais medidas existem para mitigar riscos de tempestades solares?
A resposta atual combina monitoramento solar avançado e fortalecimento da infraestrutura crítica. Satélites em pontos estratégicos entre Terra e Sol medem o vento solar, permitindo alertas com antecedência de minutos a horas.
Serviços de previsão de clima espacial apoiam decisões de reduzir carga, reconfigurar redes, ajustar órbitas de satélites e rotas de voo polares. Alguns países discutem padrões mais robustos, estoques de transformadores e modelos numéricos para estimar correntes induzidas regionalmente.
NASA : Tormenta Solar del 12 y 13 de noviembre tiene 1/3 de poder de Evento Carrington. pic.twitter.com/oEe8WFJuLx
— ☩ ✺ DEUS VULT ✺ ☩ (@Bracesco2023) November 11, 2025
Quais dúvidas ainda existem sobre um futuro Evento Carrington?
Permanece incerta a frequência real de tempestades comparáveis ao Evento Carrington e o nível exato de dano em redes modernas. Em 2012, uma ejeção de massa coronal de intensidade semelhante cruzou a órbita terrestre, mas errou o planeta.
Esses “quase acertos” mostram que eventos extremos continuam ocorrendo no Sol. O desafio é traduzir poucos casos históricos em parâmetros técnicos confiáveis para planejamento, investimento e preparação global diante de um risco raro, porém real.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)