Megatelescópio espalha 131.072 antenas pelo deserto para observar como o Universo começou
A enorme rede busca sinais deixados pelos primeiros momentos do Universo
Como enxergar o momento em que as 1ªs estrelas se acenderam, há mais de 13 bilhões de anos? A resposta é o SKA, um megatelescópio dividido entre 2 desertos. Ele terá 131.072 antenas na Austrália e 197 antenas parabólicas na África do Sul, funcionando como um único olho gigante.
O que é o megatelescópio SKA?
O SKA, sigla para Square Kilometre Array, é o maior radiotelescópio já construído. Ele capta ondas de rádio, um tipo de luz invisível a olho nu, emitidas por galáxias, estrelas e nuvens de gás. A obra é tocada pelo SKAO, uma organização com sede no Reino Unido que reúne 16 países.
Em vez de 1 espelho ou 1 antena, o SKA usa milhares delas espalhadas pelo chão. Um computador junta o sinal de todas e cria a imagem. Quanto mais longe as antenas ficam umas das outras, mais nítida a imagem final.

Como funcionam as 131.072 antenas na Austrália?
A parte australiana se chama SKA-Low. As antenas parecem árvores de Natal de metal com 2 metros de altura, feitas pelo Instituto Nacional de Astrofísica da Itália junto com a empresa SIRIO Antenne. Elas ficam paradas no chão e captam frequências de 50 a 350 MHz, a mesma faixa do rádio FM.
As antenas se agrupam em 512 estações de 256 unidades cada. Ficam em Wajarri Country, no oeste da Austrália, com distância máxima de cerca de 75 km entre os pontos. Os 4 pontos que fazem o SKA-Low único:
E as 197 antenas parabólicas na África do Sul?
A parte africana se chama SKA-Mid e fica na região do Karoo, na Província do Cabo Norte. Serão 133 antenas parabólicas de 15 metros de diâmetro construídas do zero, além de 64 antenas do telescópio MeerKAT, que já funciona. Total: 197 pratos.
Ao contrário das da Austrália, essas antenas se movem, apontam para alvos específicos e captam frequências de 350 MHz a 15,4 GHz. A distância máxima entre elas chega a 150 km. Confira a diferença entre as duas partes:
| Item | SKA-Low (Austrália) | SKA-Mid (África do Sul) |
|---|---|---|
| Nº de antenas | 131.072 fixas | 197 parabólicas |
| Frequência | 50 a 350 MHz | 350 MHz a 15,4 GHz |
| Distância máxima | ~75 km | ~150 km |
| Alvo científico | 1ªs estrelas do Universo | Buracos negros e pulsares |
Como o megatelescópio vai enxergar o início do Universo?
O SKA-Low foi feito para captar um sinal muito antigo: a luz do hidrogênio neutro que preenchia o cosmos antes das 1ªs estrelas se formarem. Essa fase é chamada de “amanhecer cósmico”. A luz emitida naquele tempo viajou tanto que hoje chega até a Terra como ondas de rádio de baixa frequência, exatamente na faixa que a antena capta.
Em março de 2025, com só 1.024 antenas ligadas, o SKA-Low já fez sua 1ª imagem. Ela mostrou cerca de 85 galáxias num pedaço de céu do tamanho de 100 luas cheias. Segundo a análise publicada no The Conversation pela equipe do projeto, o mesmo pedaço vai revelar até 600 mil galáxias quando 68 estações estiverem ativas, previsto para o fim de 2026.

Quando o SKA vai começar a funcionar por completo?
A construção começou em julho de 2021 e dura 8 anos, com margem de 18 meses. Os 1ºs dados científicos do SKA-Low estão previstos para 2027, e os do SKA-Mid para 2029. Ao fim de 2025, a CSIRO confirmou 15 mil antenas montadas na Austrália e 7 antenas parabólicas na África do Sul.
A abertura para pesquisadores de fora, chamada de Cycle 0, começa em 2030 para o SKA-Low e em 2032 para o SKA-Mid. Até lá, o megatelescópio segue crescendo estação por estação, com cada nova antena tornando o retrato do céu mais fundo e mais nítido.
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