Mortes por terremotos na Venezuela ultrapassam 3,5 mil
Balanço oficial soma mais de 16 mil feridos e 17 mil sem moradia; ONU projeta até 50 mil desaparecidos
O total de vítimas fatais provocadas pelos dois abalos sísmicos que atingiram a Venezuela chegou a 3.535 pessoas, conforme balanço oficial divulgado nesta segunda-feira, 6, onze dias após a tragédia. O levantamento também contabiliza 16.740 feridos e mais de 17 mil desabrigados, enquanto a Organização das Nações Unidas estima que o número de desaparecidos possa alcançar 50 mil pessoas.
Os tremores, de magnitudes 7,2 e 7,5, atingiram o território venezuelano em 24 de junho, seguidos por diversas réplicas de menor intensidade. O litoral do estado de La Guaira figura entre as regiões mais devastadas pela catástrofe.
Buscas seguem nos escombros
Equipes de resgate venezuelanas, reforçadas por contingentes internacionais, mantêm o trabalho de localização de possíveis sobreviventes soterrados em edificações destruídas. Com o avanço dos dias desde o desastre, no entanto, a possibilidade de encontrar pessoas vivas sob os escombros tem diminuído de forma acentuada.
Segundo dados oficiais repassados pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, a estrutura urbana também sofreu impacto expressivo: 190 edificações foram totalmente destruídas e ao menos 856 registraram avarias severas, entre elas diversas unidades hospitalares.
Pontes e vias de acesso permanecem bloqueadas em vários pontos, o que tem dificultado a logística das operações de socorro. O aeroporto internacional que serve a região de Caracas continua sem voos comerciais em razão dos danos causados pelos tremores.
No cemitério La Esperanza, em La Guaira, coveiros já enterraram mais de 150 corpos sem identificação desde a ocorrência dos sismos. As sepulturas, marcadas por cruzes brancas simples, trazem todas a mesma data de óbito: 24 de junho de 2026.
Governo nega risco de instabilidade
A crise sísmica atinge um país já fragilizado por dificuldades econômicas e tensões políticas, fatores que comprometeram previamente a infraestrutura e os serviços de saúde. Estimativas da ONU apontam prejuízos da ordem de 6,7 bilhões de dólares — cerca de R$ 39 bilhões —, equivalentes a 6% do Produto Interno Bruto venezuelano.
Parte da população local questionou a resposta inicial das autoridades antes da chegada de equipes estrangeiras. A presidente interina, Delcy Rodríguez, afirma ter mobilizado milhares de servidores públicos e socorristas para atender a população atingida.
Durante cerimônia militar de comemoração à independência do país, neste domingo, ela descartou temores de tensões sociais decorrentes da tragédia: “Não haverá agitação social aqui, o que temos é uma profunda solidariedade social”.
Em Caracas e La Guaira, moradores participaram de missas e vigílias em memória das vítimas. Na Universidade Central da Venezuela, estudantes, ativistas e familiares de presos políticos se reuniram para orar pelos mortos e acender velas em sua homenagem.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)