Apoio à punição de adolescentes como adultos avança, mostra Datafolha
Sete em cada dez brasileiros defendem a medida; levantamento também aponta que 85% são favoráveis à proibição das drogas
Sete em cada dez brasileiros defendem que adolescentes que cometem crimes sejam punidos como adultos, segundo dados de nova pesquisa Datafolha.
O percentual chegou agora a 70%, ante 65% em 2022. Outros 27% afirmam que menores infratores devem passar por reeducação, enquanto 3% não souberam responder.
O apoio à punição como a de adultos é maior entre evangélicos (75%) e católicos (72%).
Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro (PL), 81% defendem essa posição, percentual que cai para 61% entre os eleitores de Lula (PT).
A reeducação é apoiada por 17% dos eleitores de Flávio Bolsonaro e por 37% dos eleitores do petista.
Rejeição às drogas
O levantamento também mostra que 85% dos brasileiros concordam que “o uso de drogas deve ser proibido porque toda a sociedade sofre com as consequências”.
Já 13% concordam com a afirmação de que “o uso de drogas não deve ser proibido, porque é o usuário que sofre com as consequências”, enquanto 2% não souberam responder.
Os números permanecem praticamente estáveis em relação a 2022, quando 83% eram favoráveis à proibição e 15% defendiam a posição contrária.
Como a variação ficou dentro da margem de erro, o Datafolha considera que não houve mudança significativa.
A pesquisa foi realizada presencialmente entre 17 e 18 de junho, com 2.004 eleitores de 16 anos ou mais em 139 municípios brasileiros. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-09956/2026.
Direita supera esquerda
A pesquisa revelou ainda que a direita voltou a se sobrepor à esquerda na preferência ideológica dos brasileiros, encerrando um ciclo iniciado em 2022, quando o campo progressista liderava.
O levantamento aponta 44% dos entrevistados classificados à direita ou centro-direita, 39% à esquerda ou centro-esquerda e 17% no centro político.
Segundo o Datafolha, a matriz ideológica não parte de uma autodeclaração direta do entrevistado, mas da combinação de respostas a dezesseis perguntas — dez sobre comportamento e seis sobre economia — que tratam de temas como posse de armas, criminalidade, religião e papel do Estado.
O deslocamento mais expressivo ocorreu no eixo comportamental, onde a direita passou a somar 52% das posições, ante 29% da esquerda. Em 2022, esse bloco estava tecnicamente empatado, com 39% e 42%, respectivamente.
Chamam atenção as respostas sobre pobreza: a parcela que atribui a condição à “preguiça de pessoas que não querem trabalhar” quase dobrou, de 22% para 40%, enquanto a visão de que a desigualdade decorre da falta de oportunidades caiu de 76% para 58%, ainda que continue majoritária.
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