Arqueólogos desenterram um jarro cheio de dezenas de milhares de moedas romanas de 1.800 anos

24.10.2026

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Arqueólogos desenterram um jarro cheio de dezenas de milhares de moedas romanas de 1.800 anos
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Redação O Antagonista
6 minutos de leitura 01.07.2026 22:53 comentários
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Arqueólogos desenterram um jarro cheio de dezenas de milhares de moedas romanas de 1.800 anos

Um bairro romano inteiro, enterrado há mais de 1.600 anos sob a pequena Senon, no nordeste da França, foi arrancado do esquecimento

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Arqueólogos desenterram um jarro cheio de dezenas de milhares de moedas romanas de 1.800 anos
Arqueólogos desenterram um jarro cheio de dezenas de milhares de moedas romanas de 1.800 anos (Imagem Ilustrativa)

Um bairro romano inteiro, enterrado há mais de 1.600 anos sob a pequena Senon, no nordeste da França, foi arrancado do esquecimento: entre paredes queimadas, pisos colapsados e aquecedores de chão, arqueólogos encontraram três enormes jarros cheios de moedas romanas — mais de 40 mil peças de bronze e cobre — revelando como o dinheiro realmente circulava, era guardado e administrado no fim do Império Romano.

Um tesouro oculto em Senon muda a história da Gália romana?

As escavações preventivas do Instituto Nacional de Pesquisas Arqueológicas Preventivas da França (INRAP), em 1.500 m² de terreno, revelaram a transformação de Senon, de povoado celta a bairro romano e, enfim, ruína abandonada.

O achado dos jarros com moedas, preservados sob camadas de incêndios e entulho, tornou-se a peça-chave desse quebra-cabeça histórico.

O bairro inteiro foi reconstituído em camadas: ruas, casas, oficinas e pátios mostram uma ocupação densa, economicamente ativa e diretamente ligada às crises do século III e IV d.C.

Em vez de uma vila periférica irrelevante, Senon emerge como um pequeno, mas intenso, nó da rede urbana da Gália tardia.

Leia Também: Vulcão lança ouro todos os dias na atmosfera. País pode usá-lo como fonte de riqueza?

Arqueólogos desenterram um jarro cheio de dezenas de milhares de moedas romanas de 1.800 anos
Uma jarra contendo um grande número de moedas romanas foi encontrada durante uma escavação em uma vila francesa. Crédito: Simon Ritz/Inrap

Como Senon passou de povoado celta a núcleo urbano romano?

Nas camadas mais antigas, surgem vestígios de um povoado celta dos Mediomátricos, com valas, buracos de poste e estruturas em negativo que indicam casas de madeira e barro.

A alta concentração de construções mostra um vilarejo já próspero entre os séculos II e I a.C., conectado a outros centros da Gália antes da conquista romana.

Com a expansão de Roma sob Júlio César, a paisagem muda agressivamente: abrem-se mais de uma dezena de pequenas pedreiras de calcário atrás das casas, algumas com quase três metros de profundidade.

Esse fornecimento contínuo de pedra alimenta a urbanização — ruas alinhadas, paredes de alvenaria, pisos duráveis e áreas específicas para atividades produtivas.

Arqueólogos desenterram um jarro cheio de dezenas de milhares de moedas romanas de 1.800 anos
O piso de um hipocausto (um antigo sistema de aquecimento romano), feito de telhas reutilizadas, que cobre uma adega abandonada, ilustra as reconfigurações do distrito durante a Antiguidade Tardia. Crédito: Simon Ritz/Inrap

Como era o cotidiano num bairro romano aquecido por baixo do piso?

Do fim do século I d.C. em diante, duas ruas pavimentadas organizam fileiras de casas de pedra, com pisos de argamassa de cal, fornos, depósitos subterrâneos e sistemas de aquecimento por hipocausto.

Os pátios dos fundos funcionam ao mesmo tempo como área de serviço e espaço de oficinas artesanais, indicando moradores artesãos e comerciantes com conforto acima da média.

Componentes de hipocausto aparecem instalados sobre antigas adegas abandonadas, revelando reformas contínuas e reaproveitamento agressivo de materiais.

Colunas partidas e pedras de templos desativados são reutilizadas nas paredes, um sinal claro de que edifícios públicos monumentais já estavam em declínio quando essas casas passaram por remodelagens intensivas.

O que revelam os jarros de moedas romanas usados como “banco doméstico”

Debaixo do piso de uma dessas casas, arqueólogos encontraram três grandes jarros cerâmicos enterrados até o ombro, com a borda nivelada ao chão.

Dentro, havia dezenas de milhares de moedas de bronze e cobre do século III d.C., muitas com efígies de imperadores do chamado Império das Gálias, como Victorino, Tétrico I e Tétrico II, formando uma reserva monetária impressionante.

A análise mostra que esse dinheiro não foi simplesmente escondido por medo, mas usado de forma contínua, como um “banco doméstico” ligado ao cotidiano e talvez à administração de pagamentos locais.

Para entender esse sistema na prática, alguns pontos se destacam:

Arqueologia Romana

🏺 O que revelam os jarros de moedas romanas usados como “banco doméstico”

A análise dos recipientes encontrados pelos arqueólogos mostra que eles funcionavam como verdadeiros cofres familiares, reunindo uma fortuna impressionante para os padrões do Império Romano.

Descoberta O que os arqueólogos identificaram
💰 Capacidade do maior jarro O recipiente poderia armazenar aproximadamente 23 mil a 24 mil moedas romanas, atingindo um peso estimado de 38 kg.
🏺 Segundo recipiente Outro jarro teria capacidade para guardar cerca de 19 mil moedas, elevando o conjunto para mais de 40 mil peças.
🔍 Indícios de movimentação Moedas aderidas à parte externa de dois recipientes sugerem que os proprietários continuaram realizando depósitos e retiradas mesmo depois que os jarros já haviam sido enterrados.
⚔️ Valor econômico A quantidade de moedas era suficiente para custear durante meses o pagamento de um grupo de soldados romanos, evidenciando a enorme riqueza escondida nos recipientes.
📌
Por que isso chama tanta atenção?
O conjunto representa um dos maiores depósitos monetários da época romana já encontrados, oferecendo evidências raras sobre como famílias ou grandes proprietários utilizavam recipientes de cerâmica como verdadeiros “bancos domésticos”, administrando economias acumuladas ao longo de vários anos.

Por que incêndios, abandono e esquecimento preservaram o dinheiro?

Os estratos de cinzas apontam pelo menos dois grandes incêndios no bairro durante o período romano tardio.

O primeiro, no início do século IV, danificou as casas, mas parte dos moradores retornou, reaproveitando adegas antigas e blocos de edifícios públicos já desativados, em uma tentativa de reconstrução em modo de sobrevivência.

Por volta da metade do século IV, um novo incêndio foi devastador: telhados ruíram, pátios encheram-se de entulho e as casas jamais foram reocupadas.

Os jarros de moedas, antes próximos ao piso, foram sendo soterrados e esquecidos, enquanto o bairro saía do mapa urbano.

Séculos depois, escavações modernas, registros 3D e análises numismáticas revelam que esse dinheiro, congelado no tempo, é uma prova brutal de como comunidades inteiras administravam recursos, negociavam com militares e tentavam se segurar em meio ao colapso de um império.

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