Dois sobreviventes caminharam 10 dias pelos Andes a -30°C e salvaram 16 pessoas presas há 72 dias na neve
Nando Parrado e Roberto Canessa enfrentaram frio extremo, altitude e incerteza para buscar socorro após a queda do voo 571
No começo, parecia apenas mais um acidente impossível de vencer: um avião partido na neve, altitude extrema, frio cortante e jovens esperando um resgate que não vinha. Mas a história mudou quando dois sobreviventes decidiram atravessar a Cordilheira dos Andes a pé para salvar quem ainda resistia entre os destroços.
Como o desastre dos Andes deixou sobreviventes presos no frio extremo?
O acidente aconteceu em 13 de outubro de 1972, quando o voo 571 da Força Aérea Uruguaia caiu nos Andes durante uma viagem que levava jogadores, familiares e amigos ligados ao time de rugby Old Christians. Ao todo, 45 pessoas estavam a bordo, e apenas 16 seriam resgatadas ao fim de uma espera que entrou para a história da sobrevivência.
O isolamento era brutal. Os sobreviventes estavam em uma área remota, cercada por montanhas, neve e temperaturas abaixo de zero. Sem roupas adequadas para alta montanha, sem comida suficiente e com feridos graves, o grupo percebeu aos poucos que esperar indefinidamente poderia ser fatal.
Quem enfrentou a caminhada de 10 dias pelos Andes?
Os nomes por trás da travessia foram Nando Parrado e Roberto Canessa, dois sobreviventes que saíram em busca de ajuda depois de quase dois meses presos na montanha. Antonio “Tintín” Vizintín também partiu inicialmente, mas retornou ao local do acidente para que os outros dois tivessem mais chance de seguir com os poucos recursos disponíveis.
A jornada durou cerca de 10 dias e atravessou um terreno gelado, instável e muito acima do que eles estavam preparados para enfrentar. A decisão não foi aventura nem impulso: foi a última possibilidade real de salvar os 16 sobreviventes que ainda estavam vivos depois de semanas de frio, fome e desespero.
Principais pontos da travessia:
- Nando Parrado e Roberto Canessa caminharam em busca de socorro
- Antonio Vizintín voltou para preservar recursos do grupo
- A caminhada começou em 12 de dezembro de 1972
- Os dois encontraram ajuda no Chile após dias de esforço extremo
- O resgate final salvou 16 pessoas entre 22 e 23 de dezembro
Para complementar o tema, o canal CGTN, que conta com cerca de 5,07 milhões de inscritos no YouTube, apresenta o vídeo “Roberto Canessa relives a plane crash in the Andes 45 years ago”. O material traz o relato de um dos sobreviventes e ajuda a visualizar a dimensão humana da tragédia:
Por que o desastre dos Andes exigiu uma decisão tão arriscada?
De acordo com a History, a busca oficial foi suspensa depois de dias sem localizar o avião, enquanto os sobreviventes continuavam sem saber quando, ou se, seriam encontrados. Essa notícia, ouvida por rádio no local do acidente, mudou a percepção do grupo: a salvação provavelmente teria de partir deles mesmos.
A travessia só se tornou possível depois que os sobreviventes improvisaram proteção para enfrentar as noites congelantes fora da fuselagem. Mesmo assim, Parrado e Canessa caminharam sem equipamento moderno de montanhismo, em terreno de altitude elevada, com pouca alimentação e enorme desgaste físico acumulado.
Leia também: Asteroide Apophis passará a 32.000 km da Terra em 2029 e terá rota acompanhada de perto por cientistas
Quais números mostram a dimensão real dessa sobrevivência?
A força dessa história aparece nos detalhes. Não foi apenas uma caminhada difícil, mas uma sequência de decisões tomadas em ambiente hostil, com recursos mínimos e sem garantia de que havia alguém do outro lado das montanhas.
Algumas fontes citam a travessia como 10, 11 ou até 12 dias, dependendo do ponto exato considerado como início e fim da jornada. O dado mais usado em reconstituições modernas é a caminhada de cerca de 10 dias até o contato com pessoas que puderam acionar o resgate.
O que tornou essa caminhada uma das mais extremas da história?
O primeiro fator foi a altitude. Caminhar nos Andes sem preparo técnico, com frio intenso e pouca energia, torna qualquer deslocamento mais lento e perigoso. O corpo já estava enfraquecido por semanas de privação, e cada subida exigia um esforço que poderia esgotar os dois sobreviventes antes de chegarem a qualquer sinal de vida.
O segundo fator foi a incerteza. Eles não sabiam exatamente onde estavam, não tinham mapa confiável para uma rota segura e carregavam apenas o suficiente para tentar seguir. A montanha parecia infinita, e desistir significava condenar não apenas a si mesmos, mas também o grupo que aguardava no local da queda.
Fatores que aumentaram o risco:
- Frio abaixo de zero durante a noite
- Falta de roupas próprias para montanhismo
- Pouca comida disponível para a travessia
- Terreno de neve, rocha e altitude elevada
- Ausência de comunicação direta com equipes de resgate
- Cansaço acumulado após quase dois meses de sobrevivência

Por que o desastre dos Andes ainda impressiona mais de 50 anos depois?
A história continua forte porque não fala apenas de um acidente aéreo. Ela reúne medo, perda, solidariedade e uma decisão quase impossível: sair andando por uma cordilheira sem saber se havia chance real de encontrar ajuda. O feito de Parrado e Canessa não apagou o sofrimento do grupo, mas transformou a espera em ação.
Mais de cinco décadas depois, o caso ainda é lembrado porque mostra o limite entre fragilidade e resistência humana. Os 16 sobreviventes não foram salvos por uma única atitude heroica, mas por uma cadeia de organização, coragem, improviso e apoio mútuo em um dos cenários mais hostis do planeta.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)