A estratégia que ajuda idosos com obesidade e perda muscular
Estudo da USP combina dieta, exercícios e proteína para tratar sarcopenia associada ao excesso de gordura em pessoas acima de 65 anos
Uma pesquisa conduzida pela Escola de Educação Física e Esporte (EEFE) da Universidade de São Paulo constatou que o acréscimo de proteína a um programa de dieta e treinamento físico traz ganhos superiores no combate à obesidade sarcopênica em idosos, quando comparado à restrição calórica isolada.
O trabalho acompanhou 105 voluntários, homens e mulheres com 65 anos ou mais, durante 16 semanas, e identificou melhoras na composição corporal, no controle da glicose e na saúde cardiovascular do grupo que recebeu o suplemento.
O que é a obesidade sarcopênica
A obesidade sarcopênica ocorre quando o excesso de gordura corporal se soma à redução de massa e força muscular. Segundo a pesquisa, essa combinação eleva o risco de quedas, fragilidade, internações e morte entre os mais velhos, além de favorecer processos inflamatórios crônicos e resistência à insulina.
A autora do estudo, Alice Erwig Leitão, orientada pelo professor Hamilton Roschel, avalia que a condição representa um desafio relevante para a saúde pública em razão de sua frequência elevada entre idosos e de seus efeitos sobre a autonomia dessa população.
Conforme a pesquisadora, “a alta prevalência, somada a seu potencial negativo para a saúde do idoso, como o aumento do risco de fragilidade, incapacidade funcional e comorbidades metabólicas, torna o tratamento da obesidade sarcopênica uma prioridade para promover um envelhecimento com melhor qualidade de vida”.
Como foi conduzido o experimento
Os participantes foram distribuídos de forma aleatória em três grupos. O primeiro, de controle, não recebeu nenhuma intervenção. O segundo seguiu um plano alimentar com corte calórico e um protocolo de treinos aeróbicos e de força, mas recebeu um suplemento sem efeito ativo. O terceiro grupo cumpriu a mesma rotina de dieta e exercícios, acrescida de 30 gramas diárias de proteína por meio de suplementação.
Os exercícios físicos combinaram sessões em esteira com treinos de força, cuja carga, número de séries e repetições aumentaram gradualmente ao longo das 16 semanas. Todos os voluntários passaram por avaliações no início e no fim do período, o que permitiu comparar os resultados entre os três grupos.
Resultados favorecem grupo com suplemento
Os dados mostraram que o grupo que recebeu proteína apresentou redução mais expressiva de gordura corporal e aumento maior de massa muscular do que os grupos placebo e controle. Também foram registrados avanços no controle glicêmico, na função dos vasos sanguíneos e na capacidade cardiorrespiratória, além de queda nos indicadores de síndrome metabólica — conjunto de fatores que aumenta o risco de diabetes e acidente vascular cerebral.
De acordo com a pesquisa, esses achados reforçam que estratégias não medicamentosas, quando aplicadas de forma conjunta, produzem efeito mais consistente do que a simples redução de calorias na alimentação.
Leitão afirma que essas abordagens “não só melhoram os parâmetros relacionados à obesidade, mas também promovem adaptações significativas na saúde cardiovascular — benefícios são especialmente importantes para populações em risco d e fragilidade/incapacidade”.
A tese de doutorado de Alice Erwig Leitão, intitulada “Efeitos da suplementação de proteína em desfechos cardiometabólicos de idosos com obesidade sarcopênica submetidos a um programa de restrição calórica e treinamento físico: um ensaio clínico randomizado e controlado”, está disponível para leitura no Banco de Teses da USP.
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