Agências reguladoras: a batalha agora é pela autonomia financeira

O Antagonista

Assine Entre

16.07.2026

logo-crusoe-new
Crusoé
  • Últimas Notícias
  • Brasil
  • Mundo
  • Economia
  • Lado oa!
    • Carros
    • Entretenimento
    • Esportes
    • Imóveis
    • Tecnologia
    • Turismo
    • Variedades
  • Colunistas
  • Newsletter
Pesquisar Menu
O Antagonista X
  • Olá

    Fazer login Assine agora
  • Home

    Editorias

    Newsletter Colunistas Últimas Notícias Brasil Mundo Economia Esportes Crusoe
  • Mídias

    Vídeos Podcasts
  • Anuncie conosco Quem Somos Política de privacidade Termos de uso Política de cookies Política de Compliance Perguntas Frequentes

E siga O Antagonista nas redes

Twitter Instagram Facebook
O Antagonista

Agências reguladoras: a batalha agora é pela autonomia financeira

avatar
Carlos Graieb
7 minutos de leitura 01.07.2026 12:25 comentários
Oráculo

Agências reguladoras: a batalha agora é pela autonomia financeira

A importância das agências reguladoras para a atração de investimentos é consenso, mas elas nunca se viram tão sufocadas financeiramente

avatar
Carlos Graieb
7 minutos de leitura 01.07.2026 12:25 comentários 0
Banner de disclaimer: Esse é um conteúdo de degustação do Oráculo
x Disclaimer Orácilo: Receba análises exclusivas de Carlos Grabieb, Duda Teixeira, Wilson Lima e Rodolfo Borges integrados a uma plataforma  premium de dados proprietários.
Agências reguladoras: a batalha agora é pela autonomia financeira
Foto: Divulgação/Aneel
  • Whastapp
  • Facebook
  • Linkedin
  • Twitter
  • COMPARTILHAR

Em dezembro de 1996, a criação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) inaugurou o modelo brasileiro de agências reguladoras independentes. Três décadas depois, o sistema enfrenta um paradoxo: nunca houve consenso tão amplo sobre a importância da regulação técnica para atrair investimentos e nunca as agências estiveram tão pressionadas financeiramente. Apesar de arrecadarem muito mais do que gastam, por meio das taxas cobradas dos próprios setores regulados, seus recursos são direcionados ao Tesouro Nacional e se tornaram objeto recorrente de bloqueio. Isso aleija sua capacidade operacional.

Em 2026, o bloqueio orçamentário chegou a R$ 382 milhões, alta de 745% em relação ao ano anterior. Entre 2015 e 2025, as agências perderam cerca de 25% de seu orçamento e aproximadamente 13% de seu quadro de servidores. Na Agência Nacional do Petróleo (ANP), as despesas discricionárias caíram cerca de 82% em termos reais entre 2013 e 2024, reduzindo-se de R$ 749 milhões para R$ 134 milhões.

Dois órgãos fundamentais para o funcionamento dos mercados enfrentam drama semelhante: o Banco Central (BC) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Embora tenham funções distintas das agências reguladoras, ambos enfrentam limitações orçamentárias. No caso da CVM, a crise levou o Supremo Tribunal Federal a determinar medidas emergenciais para recompor seu financiamento. No Banco Central, cortes orçamentários reacenderam o debate sobre autonomia financeira.

O Congresso contribui para o enfraquecimento institucional ao demorar meses, ou mesmo anos, para sabatinar dirigentes indicados pelo Executivo. Diretorias incompletas reduzem o poder decisório de órgãos que dependem de colegiados para deliberar.

Alguns remédios começam a ser cogitados. O Senado aprovou recentemente o PLP 73/2025, que busca proteger os recursos das agências contra contingenciamentos, enquanto outras propostas tratam da prestação de contas da CVM e da autonomia financeira do Banco Central.

Paralelamente, integrantes do governo discutem uma “solução estrutural”, que poderia criar mecanismos permanentes para utilização das receitas próprias das agências e reduzir sua dependência das decisões orçamentárias anuais.

Por que isso interessa

Para investidores em transportes, logística, energia, saneamento, telecomunicações e mineração, assim como para o mercado financeiro, estabilidade regulatória é um bem precioso.

Projetos de infraestrutura envolvem horizontes de investimento de vinte ou trinta anos. Empresas calculam seus riscos considerando a possibilidade de mudanças regulatórias, revisões tarifárias, interpretações contratuais e decisões fiscalizatórias. Quanto maior a percepção de interferência política de curto prazo, maior tende a ser o prêmio de risco exigido pelo investidor e maior o custo do capital.

Não por acaso, representantes dos próprios setores regulados têm defendido publicamente o fortalecimento das agências. O argumento não é pela ausência de controle, mas pela preservação de instituições capazes de produzir decisões técnicas previsíveis e relativamente protegidas das alternâncias de governo.

Ao longo de três décadas, o modelo amadureceu, consolidou quadros técnicos especializados e ganhou legitimidade entre operadores públicos e privados. O problema, hoje, é assegurar que essa maturidade institucional seja acompanhada de condições materiais para seu funcionamento.

Um paralelo americano

Enquanto o Brasil discute como fortalecer suas agências, os Estados Unidos caminham em direção oposta.

Na segunda-feira, 29, a Suprema Corte americana ampliou significativamente o poder do presidente Donald Trump para demitir dirigentes de diversas agências reguladoras independentes, enfraquecendo uma proteção jurídica vigente desde 1935. Mas preservou uma exceção: recusou-se a permitir a remoção imediata de uma diretora do Federal Reserve, reconhecendo o caráter singular do banco central e sua necessidade de independência institucional. Mesmo em um movimento geral de fortalecimento do Executivo, a autonomia da autoridade monetária foi vista como crucial para a estabilidade econômica.

O debate brasileiro

O PLP 73/2025, aprovado pelo Senado e em análise na Câmara, procura impedir que recursos arrecadados pelas próprias agências sejam sistematicamente bloqueados para cumprir metas fiscais. Autonomia decisória perde significado quando faltam recursos para realizar inspeções, fiscalizações, certificações e análises técnicas.

O governo do PT responde à pressão falando sobre modelos permanentes de financiamento. Técnicos passaram a estudar mecanismos que permitam maior utilização das receitas próprias das agências e reduzam sua vulnerabilidade aos contingenciamentos anuais.

Juristas especializados em Direito Regulatório sustentam que a autonomia não existe para proteger burocracias, mas para preservar decisões técnicas contra ciclos eleitorais e pressões políticas conjunturais. A consequência econômica seria direta: menor risco regulatório, menor custo de capital e maior competição em concessões e leilões.

Isso não elimina a necessidade de controle. Em outras palavras, autonomia ou independência não significam ausência de accountability — a necessidade de prestar contas. Agências devem responder aos questionamentos do Judiciário, do Congresso e mesmo de órgãos como o TCU, desde que esses mecanismos não substituam avaliações técnicas.

BC, CVM e a questão ideológica

No Banco Central e na CVM, a discussão incorpora um componente político explícito.

A esquerda critica o modelo de independência do BC por considerar que a política monetária — especialmente a definição da taxa básica de juros — deveria responder à estratégia econômica do governo eleito. A independência limita o poder do Executivo de gastar e executar políticas de crescimento ou emprego.

Essa visão aparece de maneira clara no manifesto divulgado recentemente por economistas “heterodoxos” contra a PEC 65, que concede autonomia financeira do Banco Central. O documento rejeita a proposta e argumenta que ela reduziria controles democráticos sobre uma instituição que exerce enorme influência sobre a economia nacional.

O manifesto levanta preocupações legítimas: qualquer órgão independente deve estar submetido a mecanismos robustos de prestação de contas e precisa ser blindado contra a captura pelo setor privado.

Mas a solução proposta, além de não se preocupar com a captura por governos, não tem meio termo. Em vez de buscar combinar autonomia financeira com novos mecanismos de prestação de contas, o documento exige a rejeição total de qualquer iniciativa que amplie o distanciamento entre o BC e o Executivo.

O debate sobre CVM tem melhor evolução. Após a decisão do Supremo que ampliou o acesso do conselho às próprias receitas, a discussão deslocou-se para reformas de governança interna, fortalecimento da supervisão baseada em risco e aperfeiçoamento da prestação de contas ao Congresso. Também tramita projeto que obrigará o presidente da autarquia a apresentar relatórios semestrais ao Senado, institucionalizando um mecanismo permanente de prestação de contas.

Resumo da ópera

Permitir que as agências reguladoras e órgãos como o BC e a CVM tenham recursos para funcionar é hoje uma escolha do Executivo brasileiro.

Como mostra o governo de Donald Trump nos Estados Unidos – país de onde o Brasil copiou seu modelo de agências –, a coloração ideológica não é o fator determinante para que a autonomia dos reguladores seja respeitada. Trump, à direita, deseja influir sobre todos os órgãos com relevância política tanto quanto Lula, à esquerda. Bolsonaro também foi assim, quando bateu de frente com a Anvisa durante a pandemia.

Presidentes preferem concentrar poder. Por isso é importante que haja amarras institucionais, impedindo que eles controlem o trabalho das agências pelo abrir ou fechar das torneiras do Tesouro.

O Congresso propõe novas balizas, mas a velocidade e o resultado final da iniciativa dependerá, em boa parte, do envolvimento de empresas e associações dos setores regulados nessa discussão.

  • Mais lidas
  • Mais comentadas
  • Últimas notícias
1

EUA confirmam novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros

EUA confirmam novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros
2

Sóstenes questiona foto de Flávio com ‘Sicário’: “E se isso não for IA?”

Sóstenes questiona foto de Flávio com ‘Sicário’: “E se isso não for IA?”
3

Crusoé: Já começou a debandada de Flávio?

Crusoé: Já começou a debandada de Flávio?
4

EUA disparam contra petroleiro que tentava romper bloqueio naval ao Irã

EUA disparam contra petroleiro que tentava romper bloqueio naval ao Irã
5

Lula não se livrou da sombra do Master

Lula não se livrou da sombra do Master
6

Flávio nega conhecer “Sicário” de Vorcaro após site publicar foto

Flávio nega conhecer “Sicário” de Vorcaro após site publicar foto
7

Flávio diz que ignorou vídeo de Michelle “para não se contaminar”

Flávio diz que ignorou vídeo de Michelle “para não se contaminar”
8

Moraes encaminha à PGR manifestação de Bolsonaro sobre carta divulgada por Flávio

Moraes encaminha à PGR manifestação de Bolsonaro sobre carta divulgada por Flávio
9

Renan Santos acusa Quaest de divulgar pesquisa com “inconsistências” 

Renan Santos acusa Quaest de divulgar pesquisa com “inconsistências” 
10

Crusoé: “AtlasIntel não mudará sua técnica por pressão política”

Crusoé: “AtlasIntel não mudará sua técnica por pressão política”
1

Temer diz que carta de Bolsonaro pode levar à perda da prisão domiciliar

Temer diz que carta de Bolsonaro pode levar à perda da prisão domiciliar
2

Renan Santos acusa Quaest de divulgar pesquisa com "inconsistências" 

Renan Santos acusa Quaest de divulgar pesquisa com "inconsistências" 
3

Renan Santos ironiza foto de Flávio com "Sicário": "Dois bandidos"

Renan Santos ironiza foto de Flávio com "Sicário": "Dois bandidos"
4

Sóstenes defende selo para institutos após pesquisa Quaest

Sóstenes defende selo para institutos após pesquisa Quaest
5

Crusoé: Já começou a debandada de Flávio?

Crusoé: Já começou a debandada de Flávio?
6

Flávio exalta “selo de acerto” do TSE e reclama da Quaest

Flávio exalta “selo de acerto” do TSE e reclama da Quaest
7

Bolsonaro "jamais soube" que Flávio divulgaria carta, diz defesa

Bolsonaro "jamais soube" que Flávio divulgaria carta, diz defesa
8

Crusoé: "AtlasIntel não mudará sua técnica por pressão política"

Crusoé: "AtlasIntel não mudará sua técnica por pressão política"
9

"O Oruam, se quiser, pode visitar o Marcinho VP na cadeia", diz Flávio

"O Oruam, se quiser, pode visitar o Marcinho VP na cadeia", diz Flávio
10

Sóstenes questiona foto de Flávio com 'Sicário': “E se isso não for IA?"

Sóstenes questiona foto de Flávio com 'Sicário': “E se isso não for IA?"
1

Horóscopo do dia: previsão para os 12 signos em 16/07/2026

Horóscopo do dia: previsão para os 12 signos em 16/07/2026
2

EUA confirmam novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros

EUA confirmam novo tarifaço de 25% sobre produtos brasileiros
3

Jornal inglês conta “31 truques sujos” da Argentina na semifinal

Jornal inglês conta “31 truques sujos” da Argentina na semifinal
4

Deputados franceses aprovam eutanásia e suicídio assistido

Deputados franceses aprovam eutanásia e suicídio assistido
5

Temer diz que carta de Bolsonaro pode levar à perda da prisão domiciliar

Temer diz que carta de Bolsonaro pode levar à perda da prisão domiciliar
6

Neonazista trans cumpre pena em prisão feminina na Alemanha

Neonazista trans cumpre pena em prisão feminina na Alemanha
7

EUA disparam contra petroleiro que tentava romper bloqueio naval ao Irã

EUA disparam contra petroleiro que tentava romper bloqueio naval ao Irã
8

Loja de capinhas de celular lavava dinheiro do tráfico no RJ

Loja de capinhas de celular lavava dinheiro do tráfico no RJ
9

Crusoé: Argentina pode ser punida por faixa sobre as Malvinas

Crusoé: Argentina pode ser punida por faixa sobre as Malvinas
10

Flávio diz que ignorou vídeo de Michelle “para não se contaminar”

Flávio diz que ignorou vídeo de Michelle “para não se contaminar”

Tags relacionadas

agências reguladoras Congresso Nacional infraestrutura investimentos no Brasil
< Notícia Anterior

Alerta para quem usa aquecedor elétrico em casa durante os dias mais frios

01.07.2026 00:00 4 minutos de leitura
Alerta para quem usa aquecedor elétrico em casa durante os dias mais frios
Próxima notícia >

Europa está com falta de gente em áreas que brasileiro conhece bem: obra, elétrica, transporte, saúde e tecnologia aparecem no mapa das profissões procuradas

01.07.2026 00:00 4 minutos de leitura
Europa está com falta de gente em áreas que brasileiro conhece bem: obra, elétrica, transporte, saúde e tecnologia aparecem no mapa das profissões procuradas
avatar

Carlos Graieb

Carlos Graieb é jornalista formado em Direito, editor sênior do portal O Antagonista e da revista Crusoé. Atuou em veículos como Estadão e Veja. Foi secretário de comunicação do Estado de São Paulo (2017-2018). Cursa a pós-graduação em Filosofia do Direito, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)

Torne-se um assinante para comentar

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)


Início
Utilizamos cookies e tecnologia para aprimorar sua experiência de navegação de acordo com a Política de cookies.

Seja nosso assinante

E tenha acesso exclusivo aos nossos conteúdos

Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e a Revista Crusoé.

Assine
O Antagonista
O Antagonista

Redação SP

Av Paulista, 777 4º andar cj 41 Bela Vista, São Paulo-SP
CEP: 01311-914

Anuncie Conosco

Últimas Notícias Brasil Mundo

Economia Lado oa! Colunistas Newsletter

Twitter Icone do Youtube Icone do Whatsapp Instagram Facebook

Quer receber notícias do Antagonista em seu e-mail?

Assine nossa newsletter e receba as principais notícias em seu e-mail

Com inteligência e tecnologia:
Object1ve - Marketing Solution
Quem Somos Hora extra Política de privacidade Termos de uso Política de Cookies Política de compliance Princípios Editoriais Perguntas Frequentes Anuncie
O Antagonista , 2026, Todos os direitos reservados, 25.163.879/0001-13.
Background do rodapé