China cobra caro do Japão
A China nunca perdoou a primeira-ministra Sanae Takaichi por sugerir que o Japão poderia se envolver num eventual conflito em Taiwan
A China anunciou nesta segunda-feira (29) novas restrições comerciais contra 40 entidades japonesas, incluindo divisões da Mitsubishi Electric, Mitsubishi Heavy Industries, Hitachi, Komatsu e Fujitsu, num movimento que mergulha as relações entre os dois países no pior momento em mais de uma década.
Essa medida é a mais recente escalada de uma série de restrições comerciais impostas por Pequim contra o Japão desde o início de 2026, em meio à crescente tensão bilateral.
Sobre a nova rodada de restrições, vinte dessas empresas foram incluídas em uma lista de controle que proíbe fornecedores chineses e estrangeiros de vender a elas produtos fabricados na China com potencial uso tanto civil quanto militar.
Outras 20 foram colocadas em lista de vigilância, sujeitas a regras mais rígidas de licenciamento e monitoramento. A lista de controle abrange ainda institutos de pesquisa governamentais japoneses, como o Instituto Nacional de Estudos de Defesa.
O governo chinês justificou as medidas com linguagem assertiva. O Ministério do Comércio afirmou que as restrições são totalmente justificadas, razoáveis e legais e que visam deter firmemente a busca imprudente do Japão pelo novo militarismo.
Recentemente, o Ministério das Relações Exteriores da China já havia criticado a decisão japonesa de permitir a exportação de armas letais e a construção de um sistema militar capaz de combate, descrevendo-os como ameaças à estabilidade regional.
A escalada tem raiz num episódio diplomático de 2025: Pequim nunca perdoou a primeira-ministra Sanae Takaichi por ter sugerido que o Japão poderia se envolver militarmente em um eventual conflito em torno de Taiwan.
Desde então, o governo japonês acelerou sua expansão militar, posicionando mísseis de longo alcance em ilhas remotas e autorizando pela primeira vez a exportação de armas letais.
Nesta mesma segunda-feira, as Forças de Autodefesa anunciaram o desdobramento de um lançador de mísseis na ilha mais ao sul do país, Minamitorishima, em aparente resposta ao avanço chinês no Pacífico.
O Japão reagiu com firmeza. O principal porta-voz do governo de Tóquio classificou as medidas como “inaceitáveis e extremamente lamentáveis”, exigindo que Pequim as revogue.
O secretário-chefe do gabinete, Minoru Kihara, também denunciou a presença de navios da Guarda Costeira chinesa dentro da zona econômica exclusiva japonesa a leste de Taiwan, chamando a situação de inaceitável.
Só que esse recado vai além do comércio. As medidas funcionam mais como um alerta diplomático sobre as frágeis relações entre os dois países, que podem se deteriorar ainda mais caso nenhum dos lados tome iniciativas concretas para estabilizá-las.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)