Burkina Faso, Chade, Djibuti, Eritreia, Etiópia, Mali, Mauritânia, Níger, Nigéria, Senegal e Sudão se unem para construir muralha de 8.000 km contra avanço do deserto na África
O projeto atravessa o Sahel e tenta conter a perda de terras férteis com restauração ambiental, agricultura e geração de empregos.
A Grande Muralha Verde é um dos projetos ambientais mais ambiciosos da África. A ideia é restaurar terras degradadas, conter o avanço da desertificação e criar renda em regiões pressionadas pela seca.
O que é a Grande Muralha Verde?
A Grande Muralha Verde é uma iniciativa da União Africana voltada ao Sahel e ao Saara. O projeto foi lançado em 2007 para enfrentar desertificação, pobreza rural e perda de terras produtivas.
Segundo a União Africana, a proposta começou como uma faixa de árvores, mas virou um movimento de restauração de paisagens e desenvolvimento climático.

Quais países fazem parte dessa muralha de 8.000 km?
O corredor envolve países que atravessam a África de oeste a leste. A lista inclui Burkina Faso, Chade, Djibuti, Eritreia, Etiópia, Mali, Mauritânia, Níger, Nigéria, Senegal e Sudão.
O Banco Africano de Desenvolvimento descreve a iniciativa como uma barreira viva de cerca de 8.000 km, do Senegal a Djibuti, com impacto em biodiversidade, alimento e empregos.
Por que o deserto avança nessa região?
O Sahel fica entre o Saara e áreas mais úmidas ao sul. A região sofre com seca, pressão sobre o solo, desmatamento, pastoreio excessivo e mudanças no regime de chuvas.
Quando a terra perde vegetação, ela retém menos água e produz menos alimento. Esse ciclo empurra famílias para insegurança alimentar, migração e conflitos por recursos.
A muralha é uma linha contínua de árvores?
Não exatamente. A imagem de uma parede verde ajuda a chamar atenção, mas o projeto real é mais amplo. Ele combina árvores, recuperação de solo, agroflorestas, manejo de água e agricultura adaptada ao clima.
A UNCCD aponta que a ambição é restaurar terras degradadas, sequestrar carbono e criar empregos. Portanto, a muralha é mais uma rede de paisagens produtivas do que uma fileira única de árvores.
- Restauração do solo: devolve fertilidade a áreas empobrecidas.
- Plantio de árvores: ajuda a proteger o solo contra erosão.
- Agrofloresta: combina produção de alimento com cobertura vegetal.
- Empregos verdes: geram renda local e reduzem abandono do campo.
- Segurança alimentar: fortalece comunidades atingidas pela seca.
Quais são as metas mais ambiciosas do projeto?
A meta mais conhecida é restaurar 100 milhões de hectares de terras degradadas até 2030. O plano também fala em sequestrar 250 milhões de toneladas de carbono e criar 10 milhões de empregos verdes.
Esses números aparecem no Great Green Wall Accelerator, mecanismo criado para acelerar financiamento, coordenação e execução da iniciativa.
Por que o projeto ainda enfrenta dificuldades?
Apesar do tamanho da ambição, a execução é difícil. A região tem instabilidade política, conflitos, pobreza, crise humanitária, falta de financiamento e desafios de coordenação entre países.
A Reuters relatou em 2024 que a iniciativa estava atrasada para cumprir a meta de 2030. Isso mostra que a muralha verde é promessa poderosa, mas depende de dinheiro, gestão e continuidade.
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Qual é o alerta real da muralha contra o deserto?
O alerta é que a Grande Muralha Verde não tenta apenas plantar árvores. Ela tenta impedir que a perda de solo vire fome, deslocamento, desemprego e conflito em uma faixa inteira do continente africano.
A Grande Muralha Verde chama atenção pelos 8.000 km, mas sua verdadeira força está no que pode nascer ao redor dela. Se funcionar, a barreira contra o deserto será também uma barreira contra a pobreza rural.
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