Susan Fiske, psicóloga social que estuda como status e poder mudam a forma como enxergamos os outros: “Poder e status moldam a percepção social”
Na literatura, poder é a capacidade de influenciar decisões e controlar recursos
As relações sociais raramente são neutras. Em empresas, instituições públicas ou grupos informais, poder e status moldam quem é ouvido, quem é ignorado e quem recebe mais confiança. A psicologia social mostra que esse efeito é estrutural, indo além de educação ou personalidade individual.
Como poder e status influenciam a forma como percebemos os outros?
Na literatura, poder é a capacidade de influenciar decisões e controlar recursos. Status é o grau de respeito e prestígio atribuído a alguém pelo grupo. Essas dimensões funcionam como lentes que distorcem julgamentos de competência, caráter e intenções.
A simples informação sobre o cargo já altera expectativas, antes mesmo do contato direto. Pessoas em posições elevadas recebem um “crédito de confiança” inicial, enquanto quem está em posições baixas precisa provar valor repetidas vezes para obter o mesmo reconhecimento.
This week's quote is from Susan Fiske, Professor of Psychology and Public Affairs at Princeton University:#quotes pic.twitter.com/ZqLPSRGSnt
— The Skeptics' Guide To The Universe ⚛️ (@SkepticsGuide) September 5, 2022
De que maneira poder altera foco de atenção e julgamento?
Quando alguém é percebido como poderoso, observadores tendem a focar seus objetivos e resultados, minimizando emoções e limitações. Já indivíduos com pouco poder são avaliados com base em traços pessoais, erros e comportamentos visíveis.
Um deslize de alguém com alto status costuma ser visto como exceção. O mesmo erro, em alguém com baixo prestígio, é tratado como sinal de falta de competência. Isso afeta promoções, confiança delegada e a interpretação de falhas cotidianas.
O que os estereótipos de status revelam sobre grupos sociais?
Pesquisas de Susan Fiske mostram que grupos são avaliados em duas dimensões centrais: calor (intenção percebida, proximidade) e competência (capacidade, eficiência). Grupos de alto status tendem a ser vistos como competentes, porém frios ou distantes.
Grupos vulneráveis costumam ser percebidos como mais calorosos, porém menos capazes, mesmo sem evidências objetivas. Esses estereótipos, reproduzidos em diferentes países, orientam decisões sobre contratações, distribuição de recursos e políticas públicas.

Quais são os efeitos práticos do viés de poder e status?
Na prática, o valor das pessoas passa a ser medido mais por sua posição do que por seu desempenho real. Isso aprofunda desigualdades de acesso a liderança, bolsas de estudo e redes de contato estratégicas. Alguns efeitos recorrentes ajudam a ilustrar esse processo:
Avaliações profissionais tendenciosas, em que nomes associados a grupos de maior prestígio recebem mais respostas positivas.
Desigualdade na oferta de projetos de visibilidade, treinamentos e promoções, concentrados em quem já ocupa posições altas.
Autopercepção fragilizada em indivíduos repetidamente subestimados, com queda de participação e engajamento.
Como reduzir a influência de poder e status na percepção social?
Pesquisas sugerem intervenções para diminuir esses vieses, sem depender apenas de boa vontade individual. Processos seletivos às cegas, avaliações padronizadas e treinamentos sobre viés implícito são algumas estratégias testadas em empresas e instituições.
Também ajudam critérios claros de avaliação, rotatividade em lideranças de projetos e espaços de fala estruturados para quem tem menos status. Em um cenário de debates sobre diversidade e justiça organizacional, essas medidas buscam decisões mais baseadas em dados do que em rótulos hierárquicos.
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