Braço direito de Milei renuncia após acusação de enriquecimento ilícito
Manuel Adorni admitiu omissão de US$ 500 mil em declarações e passou a ser investigado pela Justiça da Argentina
Manuel Adorni (à direita na foto) deixou neste sábado, 27, o cargo de chefe de gabinete do governo de Javier Milei após o agravamento de crise provocada por suspeitas de enriquecimento ilícito e ocultação de patrimônio.
Considerado um dos aliados mais próximos do presidente argentino, ele confirmou a saída por meio de uma carta publicada nas redes sociais.
“Obrigado pela confiança, Sr. Presidente. Foi uma verdadeira honra”, escreveu Adorni no X.
Em outro trecho da carta, acrescentou:
“Prezado Presidente: obrigado. Obrigado por compreender as razões e por me compreender: pela primeira vez desde aquele 10 de dezembro de 2023 estou indo contra os seus desejos. Obrigado por, desta vez, ter aceitado minha renúncia ao cargo de chefe de Gabinete de Ministros da Nação.”
Patrimônio sob investigação
A crise se intensificou depois que Adorni admitiu ter omitido cerca de US$ 500 mil (cerca de R$ 2,6 milhões) de suas declarações patrimoniais.
Segundo ele, os recursos vieram de investimentos em criptomoedas realizados entre 2014 e 2018 e não haviam sido declarados por um “erro”, versão que contradiz seu depoimento ao Congresso em abril, quando afirmou que “nunca houve nenhuma ocultação” de patrimônio.
A Justiça da Argentina apura outras inconsistências envolvendo a evolução patrimonial do ex-ministro, incluindo denúncias sobre compra e reforma de imóveis de alto valor.
Um dos episódios mais recentes envolve um suposto recibo de aproximadamente US$ 5,6 mil em compras de artigos de cama, mesa e banho.
Pressão política
A permanência de Adorni também foi desgastada por novas denúncias apresentadas pela oposição e por críticas de setores aliados ao governo.
O desgaste aumentou após uma entrevista em que Adorni tentou justificar o crescimento de seu patrimônio com uma herança deixada pelo pai e ganhos com bitcoins. As explicações, porém, não convenceram nem aliados nem adversários.
Na carta de despedida, ele negou as acusações.
“Fui tratado como criminoso e corrupto sem que exista um único ato de corrupção em meu histórico”, escreveu.
Ao encerrar a mensagem, afirmou: “Encerro esta etapa. Saio tranquilo e sereno, mas, acima de tudo, com a consciência tranquila e firme em minhas convicções”.
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