A cidade flutuante onde crianças vivem sobre água contaminada e as ruas são percorridas de canoa
O bairro flutuante expõe o contraste brutal entre a riqueza de Lagos e famílias que vivem sobre água escura, parada e contaminada.
A poucos quilômetros de uma das regiões mais ricas da Nigéria existe um lugar onde as ruas são canais e os carros são canoas. É Makoko, um bairro de Lagos onde milhares de pessoas vivem em casas de madeira suspensas sobre uma água parada, escura e contaminada, em um dos contrastes urbanos mais marcantes do continente africano.
Onde fica Makoko e por que ele é chamado de cidade flutuante?
Makoko está localizado em Lagos, a cidade mais populosa da África e uma das mais ricas do continente. O bairro teria origem ligada à atividade pesqueira e a formas antigas de ocupação da região, que remontam à chegada dos portugueses no século XV, embora hoje nem todos os moradores trabalhem como pescadores.
Segundo relatos, a comunidade chegaria a abrigar mais de 2 milhões de pessoas, número que ainda carece de confirmação documental. O bairro é dividido em duas partes: uma área terrestre, semelhante a uma favela convencional, e outra construída inteiramente sobre a água, com casas elevadas em estruturas de madeira e circulação feita por canoas, em uma lógica que lembra Veneza, mas marcada por pobreza extrema.

Como é viver em uma casa construída sobre água contaminada?
A poluição da água é um dos pontos mais marcantes do local. O ambiente é descrito como tomado por um odor muito forte, com a água parada recebendo resíduos de rios poluídos que desaguam na região, já que o pouco movimento da correnteza impede que a sujeira se dissipe.
Essa contaminação afeta diretamente o cotidiano das famílias. Crianças tomam banho na mesma água onde casas despejam seus resíduos, e os banheiros de algumas moradias visitadas seriam apenas um buraco que leva diretamente ao lago, criando um ciclo constante de exposição a doenças.
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Como funciona a economia dentro do bairro?
Apesar das condições precárias, Makoko é descrito como um lugar de muita vida e movimento, com comércio acontecendo tanto em terra firme quanto sobre os canais de água. A economia local funciona de forma majoritariamente informal, sustentada pela falta de oportunidades fora do bairro. Entre as atividades mais comuns estão:
| Categoria de Atividade | Descrição do Serviço / Comércio |
|---|---|
| Alimentação e Subsistência | Venda de alimentos em canoas, como pão, macarrão, bananas e peixe. |
| Gastronomia Local | Comércio de camarão frito e refeições preparadas na própria comunidade. |
| Serviços Pessoais | Serviços improvisados, como barbearias montadas ao ar livre. |
| Lazer e Entretenimento | Espaços informais de jogos e apostas. |
| Extrativismo e Produção | Corte e preparo de madeira retirada diretamente do lago. |
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Clavero falando sobre o bairro mais perigoso do mundo.
Por que as crianças de Makoko crescem sem acesso à escola?
As crianças aparecem em grande número e, segundo o relato, formariam a maior parte das pessoas vistas no bairro. Muitas não frequentam escola, já que a única instituição de ensino da comunidade teria sido destruída por uma forte tempestade e, desde então, nunca teria sido reconstruída.
Essa ausência de educação básica é apontada como um fator que perpetua o ciclo de pobreza, já que sem estudos as crianças teriam poucas chances de conseguir empregos fora do bairro. Relatos também mencionam sinais de desnutrição, como corpos magros e barrigas inchadas, associados à exposição constante à água contaminada e à falta de proteína na alimentação.
Quem controla a segurança dentro de Makoko?
A segurança do bairro estaria nas mãos de diferentes lideranças locais, que funcionariam como uma espécie de governo informal, dividindo o território entre áreas com costumes e atividades próprias. A entrada de visitantes dependeria diretamente da autorização dessas lideranças, e algumas regiões seriam consideradas mais perigosas do que outras.
Enquanto isso, o poder público é descrito como praticamente ausente, sem investir em infraestrutura, eletricidade ou saneamento para a comunidade. Makoko expõe, assim, a desigualdade de uma metrópole que cresce economicamente, mas continua deixando milhares de famílias sobreviverem em meio à água contaminada, à escuridão das noites sem luz e à pergunta que ecoa entre quem visita o lugar: como pode haver lugares assim no mundo?
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