Charles Darwin desenvolveu a teoria da seleção natural por quase 20 anos em segredo, mas uma carta de Alfred Russel Wallace o forçou a dividir o crédito pela descoberta
Nascido em uma família inglesa em decadência financeira e sem formação universitária, Wallace se educou quase todo por conta própria
Alfred Russel Wallace costuma aparecer em notas de rodapé quando o assunto é evolução, mas sua trajetória revela um pesquisador que percorreu florestas tropicais, enfrentou doenças e naufrágios e, de forma independente, chegou a uma teoria muito próxima da seleção natural de Charles Darwin, tornando-se peça-chave na história da biologia.
Quem foi Alfred Russel Wallace na história da evolução?
Nascido em uma família inglesa em decadência financeira e sem formação universitária, Wallace se educou quase todo por conta própria. Passou quatro anos na Amazônia, perdeu a maior parte do material em um naufrágio e depois explorou o arquipélago Malaio, coletando espécimes para museus e colecionadores.
Nessas viagens, reuniu dezenas de milhares de animais, observou padrões de distribuição e identificou a Linha de Wallace, fronteira biogeográfica entre faunas asiáticas e australianas.
Em 1855, publicou um artigo sobre a “lei” que regula o surgimento de novas espécies, chamando a atenção de Darwin e iniciando intensa troca de cartas.

Como Alfred Russel Wallace contribuiu para a seleção natural?
Em 1858, vivendo em condições precárias nas ilhas da atual Indonésia, Wallace sofria com malária. Durante um forte ataque de febre em Halmahera, alternando delírios e lucidez, voltou a questões que o intrigavam havia anos: por que algumas espécies prosperam e outras desaparecem.
Lembrou então o livro de Thomas Malthus sobre população, lido anos antes, e aplicou a ideia de competição a indivíduos de uma mesma espécie. Concluiu que os mais adaptados ao ambiente sobreviveriam e deixariam mais descendentes, formulando de modo independente o princípio da seleção natural.
Como surgiu o ensaio de Wallace sobre seleção natural?
Recuperado parcialmente, Wallace voltou a Ternate no início de março de 1858 e revisou o manuscrito em que descrevia o mecanismo de seleção natural. Em seguida, enviou o ensaio a Darwin, pedindo que, se julgasse o texto relevante, o encaminhasse a Charles Lyell.
Darwin recebeu o material em 18 de junho de 1858 e reconheceu de imediato a semelhança com suas próprias pesquisas inéditas. Ele já possuía rascunhos de 1842 e 1844 e trabalhava desde 1856 em uma obra extensa sobre a origem das espécies, ainda incompleta.
O canal Pandêmicos explica a Teoria de Darwin e Wallace:
O que ocorreu na apresentação conjunta de Darwin e Wallace?
Enquanto Darwin enfrentava a doença e a morte do filho mais novo, Lyell e Joseph Hooker decidiram organizar uma apresentação conjunta na Linnean Society, em 1º de julho de 1858. Nem Darwin nem Wallace estavam presentes na sessão em Londres.
Para registrar prioridade, primeiro foram lidos trechos de um ensaio de 1844 de Darwin e uma carta de 1857 a Asa Gray. Depois, o ensaio de Ternate de Wallace foi apresentado na íntegra, associando formalmente seu nome à mesma explicação para a transformação das espécies.
Qual foi a reação de Wallace e qual é seu legado científico?
Informado meses depois, Wallace aceitou sem contestação o arranjo da apresentação conjunta e considerou prestigioso ter seu nome ligado ao de Darwin. Ao longo das décadas seguintes, defendeu publicamente a teoria da evolução por seleção natural e ampliou seus estudos em biogeografia e história natural.
Hoje, pesquisadores destacam sua importância em aspectos como:
Coformulação independente da seleção natural.
Descoberta da Linha de Wallace e avanços em biogeografia.
Trabalho intenso de campo em regiões tropicais pouco conhecidas.
Reconhecimento por pares, como a Medalha Darwin–Wallace em 1908.
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