O cometa interestelar 3I/ATLAS pode estar mudando o que os astrônomos sabem sobre a água dos cometas, ao revelar uma composição muito diferente da encontrada no Sistema Solar
O cometa 3I/ATLAS foi identificado em 2025 por um telescópio de rastreio no Chile, ligado ao sistema ATLAS
Cometas sempre foram vistos como arquivos naturais do passado cósmico. Esses pequenos corpos gelados preservam gelo, poeira e compostos voláteis desde a formação de estrelas e planetas.
A chegada de cometas interestelares, em especial 3I/ATLAS, revelou uma diversidade química que desafia o modelo baseado apenas no “quintal” solar.
O que é o cometa interestelar 3I/ATLAS?
O cometa 3I/ATLAS foi identificado em 2025 por um telescópio de rastreio no Chile, ligado ao sistema ATLAS. Sua órbita aberta indica origem fora do Sistema Solar, colocando-o na mesma categoria geral de 1I/’Oumuamua e 2I/Borisov.
Diferente de ’Oumuamua, 3I/ATLAS exibiu atividade cometária intensa ao se aproximar do Sol. A formação de coma e cauda permitiu medições detalhadas de gases e poeira, essenciais para investigar sua composição isotópica.

Como foi medida a água de 3I/ATLAS?
A atividade do cometa permitiu detectar o radical OH em luz ultravioleta, associado à fotodissociação da água. Telescópios espaciais fizeram a primeira identificação dessa assinatura ao longo de sua passagem.
Em seguida, observatórios milimétricos como o ALMA mediram a razão D/H da água liberada. Esses dados, combinados a modelos físicos da coma, forneceram estimativas da composição original do gelo em 3I/ATLAS.
Por que a razão D/H em 3I/ATLAS é excepcional?
O deutério é a forma pesada do hidrogênio, e a razão D/H é uma ferramenta padrão na ciência planetária. Em 3I/ATLAS, esse valor é maior que 6,6 × 10⁻³, mais de trinta vezes o típico de cometas solares e muito acima dos oceanos terrestres.
Esse enriquecimento não indica mais água, mas uma assinatura isotópica extrema, associada a ambientes muito frios. Nessas regiões, reações químicas favorecem a incorporação de deutério em moléculas como H₂O, registrando condições físicas de origem.
ناسا تبحث عن أصول المذنب النجمي 3I/ATLAS بمساعدة تلسكوب جيمس ويب
— مركز الفلك الدولي (@AstronomyCenter) June 24, 2026
وجّهت وكالة ناسا تلسكوب جيمس ويب الفضائي نحو المذنب النجمي 3I/ATLAS، ثالث مذنب يُرصد قادماً من خارج مجموعتنا الشمسية، في محاولة لكشف أسراره وتتبع أصوله البعيدة.
رصد التلسكوب صور المذنب مُسلّطاً الضوء على تركيبه… pic.twitter.com/g9vdMFufdN
O que a razão D/H revela sobre outros reservatórios de água?
No Sistema Solar, a D/H já foi medida em vários ambientes, permitindo comparar origens e histórias térmicas. Essa diversidade mostra que a água não vem de um único reservatório químico.
Oceanos terrestres e meteoritos ricos em água;
Cometas de curto e longo período ligados ao Sol;
Plumas de luas geladas, como Encélado e Europa;
Atmosferas e gelos em planetas anões, como Ceres.
O que 3I/ATLAS indica sobre a diversidade de sistemas planetários?
A água de 3I/ATLAS aponta para formação em regiões muito frias, pouco irradiadas e pouco processadas termicamente. Isso sugere um ambiente químico alternativo, distinto do histórico médio dos cometas solares.
Com poucos objetos interestelares conhecidos, o quadro ainda é incompleto, mas revelador. Esses visitantes funcionam como amostras ocasionais de outros sistemas, indicando que o registro de gelo do Sistema Solar descreve apenas uma fração da diversidade química da Via Láctea.
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