Ponte mais antiga de Paris é transformada em caverna por artista francês
Instalação de JR cobre ponte histórica com imagens de rocha e marca os 40 anos de obra de Christo e Jeanne-Claude no mesmo local
A Pont Neuf, ponte mais antiga de Paris sobre o rio Sena, recebe desde o dia 15 uma intervenção artística que reveste sua estrutura com imagens de formações rochosas. A peça, batizada “La Caverne du Pont Neuf”, é assinada pelo artista francês JR e ficará exposta até 28 deste mês. A abertura foi atrasada em 11 dias após ventos intensos causarem danos à instalação.
Estrutura inflável cobre 232 metros
A obra é composta por 80 arcos de lona inflados com ar, dispostos em tons de preto e branco para recobrir toda a extensão da ponte, de 232 metros.
Segundo o material divulgado pelo artista, a escolha das imagens de pedras remete às pedreiras da Bacia de Paris, região de onde foi extraído o calcário luteciano usado na construção da própria Pont Neuf, concluída em 1607 e primeira da cidade erguida sem uso de madeira.
A iniciativa presta homenagem aos 40 anos de “The Pont Neuf Wrapped”, instalação que a dupla Christo e Jeanne-Claude realizou no mesmo local em setembro de 1985, ao envolver a ponte com 41.800 metros quadrados de tecido na cor arenito dourado e 13 quilômetros de corda.
À época, o projeto recebeu reações divididas da imprensa francesa, mas atraiu milhões de visitantes e foi reconhecido por alterar a percepção do público sobre a estrutura e a cidade. Christo morreu em 2020 e Jeanne-Claude, em 2009.
A dupla também revestiu o Reichstag, sede do parlamento alemão, em 1995, e instalou “The Gates” no Central Park, em Nova York, em 2005. O Arco do Triunfo, em Paris, foi envolto por tecido em projeto concluído postumamente em 2021.
Trilha sonora de ex-integrante do Daft Punk
A passagem interna da instalação pode ser visitada gratuitamente, em qualquer horário, durante todo o período de exposição. O percurso conta com desenho sonoro de Thomas Bangalter, ex-integrante da dupla francesa de música eletrônica Daft Punk.
Em comunicado à imprensa, JR descreveu o projeto como uma travessia simbólica. “Projetei a travessia da La Caverne como uma experiência em que a plenitude e o vazio coexistem em equilíbrio”, afirmou o artista.
JR, de 43 anos, tem histórico de intervenções em grandes marcos arquitetônicos ao redor do mundo. Em entrevista ao jornal britânico The Guardian, ele classificou a atual instalação como “sem dúvidas, a coisa mais desafiadora” de sua carreira.
Entre seus trabalhos anteriores estão o projeto “Women Are Heroes”, com retratos de mulheres colados em fachadas de diferentes cidades, e uma intervenção na Grande Pirâmide de Giza, em 2021, que criou a ilusão de remover o topo do monumento. Em 2017, ele apresentou “Giants, Kikito”, imagem de uma criança observando por sobre o muro na fronteira entre México e Estados Unidos.
Paris também já foi palco de outras obras do artista. Em 2019, ele usou tiras de papel para simular maior profundidade na pirâmide do Museu do Louvre, em referência aos 30 anos da estrutura. Em 2016, havia feito a pirâmide parecer desaparecer, ao cobrir seus painéis de vidro com imagens do Palácio do Louvre.
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