Quem manda no Estreito de Ormuz?
Irã e Omã divulgaram um comunicado conjunto que, lido nas entrelinhas, sinaliza uma mudança importante para o Estreito de Ormuz
Irã e Omã divulgaram na terça-feira (23) um comunicado conjunto que, lido nas entrelinhas, sinaliza uma mudança importante na forma como os dois países pretendem administrar o Estreito de Ormuz, uma das passagens marítimas mais estratégicas do mundo, por onde circula cerca de um quinto de todo o petróleo consumido globalmente.
O documento, emitido após visita de uma delegação iraniana a Mascate, capital de Omã, menciona a criação de um grupo de trabalho conjunto entre os ministérios das Relações Exteriores dos dois países para discutir “a futura administração da navegação no Estreito de Ormuz, os serviços que serão prestados e os custos associados a eles, de acordo com padrões internacionais“.
A palavra-chave é custos. Embora o texto não use a palavra “pedágio”, a combinação entre “serviços” e “custos” abre uma porta para que Irã e Omã passem a cobrar pelo trânsito de embarcações no estreito, algo inédito e que, se concretizado, teria impacto direto no preço do petróleo, derivados e no custo do comércio mundial.
O comunicado também deixa claro que “todos os arranjos relacionados ao Estreito de Ormuz devem respeitar plenamente a soberania e os direitos soberanos dos dois Estados costeiros do Estreito”, uma afirmação que soa como aviso às grandes potências navais, incluindo os Estados Unidos, que mantêm presença militar constante na região.
Apesar disso, Omã reafirmou seu compromisso com a navegação livre e aberta. Os dois países ainda ratificaram o apoio ao Memorando de Entendimento de Islamabad, acordo firmado entre Irã e Estados Unidos, e se comprometeram a manter o estreito aberto à navegação internacional.
A reunião contou com a presença do presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, e do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, que foram recebidos pelo Sultão Haitham bin Tarik e pelo chanceler omanense Sayyid Badr Albusaidi.
Em passagem por Abu Dhabi, vizinho de Omã, no mesmo dia, o Secretário de Estado americano, Marco Rubio, reafirmou que nenhum país pode impor pedágios ou taxas sobre o Estreito de Ormuz, por ser uma via navegável internacional sob as regras da ONU.
O que o episódio revela é que a guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, mesmo após o cessar-fogo, poderá deixar uma insegurança a mais para o comércio mundial e um Irã mais consciente de sua força geopolítica nessa região estratégica.
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