O segredo das estrelas-do-mar que pode revelar uma origem surpreendente dos ovários humanos
Genes antigos podem explicar parte do funcionamento dos ovários
Um novo estudo com estrelas-do-mar está revelando uma conexão surpreendente entre animais que parecem não ter quase nada em comum. Apesar de humanos e estrelas-do-mar terem seguido caminhos evolutivos separados há mais de 500 milhões de anos, pesquisadores encontraram semelhanças profundas em genes, tipos celulares e sinais ligados aos ovários humanos, sugerindo que parte do nosso “projeto” reprodutivo é muito mais antigo do que se imaginava.
Por que estrelas-do-mar ajudam a entender os ovários humanos?
À primeira vista, uma estrela-do-mar laranja e cheia de pequenos pés parece distante demais da biologia humana. Mas, no nível celular, os cientistas encontraram pistas de uma herança compartilhada que atravessa centenas de milhões de anos.
O estudo analisou os ovários da espécie bat sea star e mostrou que eles possuem células de suporte parecidas com as células da granulosa, fundamentais nos mamíferos. Nos humanos, essas células cercam os óvulos, ajudam a mantê-los dormentes e participam do processo de maturação.

O que há de tão diferente na fertilidade das estrelas-do-mar?
A diferença entre os dois sistemas reprodutivos é enorme. Humanos nascem com uma reserva limitada de óvulos, formada ainda durante o desenvolvimento embrionário. Com o tempo, esse estoque diminui e isso contribui para o envelhecimento reprodutivo.
Já as estrelas-do-mar podem viver por períodos muito longos e continuar produzindo milhões de novos óvulos ao longo da vida. Antes de entender por que isso acontece, os pesquisadores precisaram mapear como o ovário desses animais é organizado.
- os ovários têm uma estrutura ramificada, com aparência quase fractal;
- os óvulos são cercados por células de suporte com função semelhante à humana;
- há sinais de grupos celulares capazes de renovar a produção de óvulos;
- certos genes reprodutivos parecem ter raízes evolutivas muito antigas.
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Como o ovário da estrela-do-mar regula a reprodução?
Um dos achados mais intrigantes foi a presença de uma rede parecida com neurônios nas camadas externas do ovário. Isso chamou atenção porque sugere que o próprio órgão pode ter um sistema interno de comunicação ligado à reprodução.
Os pesquisadores identificaram sinais semelhantes a neuropeptídeos, moléculas envolvidas na comunicação entre sistema nervoso e órgãos reprodutivos. Essa descoberta reforça a ideia de um sistema neuroendócrino dentro do ovário, capaz de participar do desenvolvimento dos óvulos e da ovulação.
Por que essa descoberta pode impactar tratamentos de fertilidade?
A descoberta interessa porque as estrelas-do-mar parecem manter populações de células-tronco germinativas capazes de renovar a produção de óvulos. Em mamíferos, a lógica é diferente: a reserva ovariana é limitada e tende a se esgotar com o tempo.
Se os cientistas entenderem como esses animais ativam e desativam genes para preservar células reprodutivas por tanto tempo, poderão encontrar pistas úteis para pesquisas sobre fertilidade feminina, envelhecimento ovariano e terapias celulares futuras.

O que essa ligação antiga revela sobre a evolução?
O estudo sugere que mecanismos essenciais do ovário já existiam no ancestral comum de humanos e estrelas-do-mar. Isso significa que, por trás de estratégias reprodutivas completamente diferentes, há uma arquitetura biológica compartilhada.
Essa descoberta não transforma estrelas-do-mar em cópias simples do sistema humano, mas mostra que elas podem servir como um modelo poderoso. Ao observar como esses animais mantêm seus ovários ativos por tanto tempo, a ciência pode enxergar novas possibilidades para compreender saúde reprodutiva, longevidade celular e evolução.
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