Durante uma década, o misterioso “Planeta Rosa” foi tênue demais para ser estudado por telescópios terrestres, até que o James Webb revelou indícios de uma atmosfera coberta por nuvens de sal
Com o Telescópio Espacial James Webb, foi possível obter, pela primeira vez, um espectro quase completo de sua atmosfera
O estudo sobre GJ 504 b chama a atenção por revelar detalhes inéditos sobre um mundo distante e muito frio. Esse objeto, apelidado de “planeta rosa”, orbita uma estrela parecida com o Sol e está a cerca de 57 anos-luz da Terra.
Com o Telescópio Espacial James Webb, foi possível obter, pela primeira vez, um espectro quase completo de sua atmosfera.
O que torna GJ 504 b um planeta rosa tão peculiar?
GJ 504 b foi detectado por imagem direta em 2013, algo ainda raro na astronomia de exoplanetas. Com cerca de 25 vezes a massa de Júpiter, está na fronteira entre um gigante gasoso muito massivo e uma pequena anã marrom, o que dificulta sua classificação.
Outro ponto central é a temperatura de cerca de 560 kelvin, próxima à de um forno doméstico em alta potência.
Objetos observados por imagem direta costumam ser bem mais quentes e brilhantes. Essa relativa “frieza” torna GJ 504 b menos luminoso, dificultando a obtenção de espectros detalhados a partir do solo.
🔴 Webb telescope detects salt clouds in atmosphere of 'Pink Planet' GJ504b
— NewsTongue (@NewsTongueX) June 19, 2026
Astronomers led by Northwestern University used the James Webb Space Telescope to discover salt clouds in the atmosphere of GJ504b, a planetary-mass companion 57 light-years from Earth orbiting a… pic.twitter.com/fzj3Ajw6k3
Como o James Webb revelou a atmosfera de GJ 504 b?
O espectro registra como a atmosfera absorve e emite luz em diferentes comprimentos de onda. Com o instrumento NIRSpec, o James Webb observou GJ 504 b entre 2,9 e 5,3 micrômetros, faixa em que muitas moléculas deixam marcas claras.
O espectro revelou vapor d’água, metano, monóxido e dióxido de carbono, amônia e sulfeto de hidrogênio, além de variantes isotópicas.
Os modelos indicam ainda que a atmosfera é enriquecida em elementos pesados em relação à estrela, algo coerente com cenários de formação típicos de planetas gigantes.
Por que se fala em nuvens de sal em GJ 504 b?
A hipótese de nuvens de sal vem da comparação entre modelos atmosféricos e o espectro medido. Sem nuvens, os parâmetros necessários para ajustar os dados tornam-se pouco plausíveis.
Ao incluir nuvens, a forma do espectro é reproduzida de modo mais consistente, sugerindo um “véu” que suaviza a visão das camadas profundas.
Foram testados diferentes tipos de partículas em suspensão, incluindo sais. Em mundos frios, substâncias que seriam gasosas em temperaturas altas podem se condensar, como ocorre com amônia em Júpiter.
À 57 années-lumière de la Terre se trouve une planète connue sous le nom de Monde Rose, une géante gazeuse d’environ quatre fois la masse de Jupiter. 💫🌸
— Neural Space (@NeuralSpace_) January 24, 2026
(Planète: GJ504b) pic.twitter.com/1D5mqxmDLe
Quão segura é a interpretação sobre o planeta rosa?
Apesar do bom encaixe dos modelos com nuvens de sal, a solução é considerada preferencial, não definitiva. A presença das nuvens é inferida estatisticamente, não por observação direta dos grãos. Incertezas na idade do sistema e na quantidade exata de elementos pesados também limitam as conclusões.
A própria categorização de GJ 504 b segue em aberto, pois sua massa está próxima do limite entre planetas e anãs marrons. A composição enriquecida favorece um cenário de formação planetária, mas não exclui totalmente uma origem mais próxima de pequenas estrelas fracassadas.
Quais são os próximos passos no estudo de mundos tão frios?
GJ 504 b tornou-se um objeto de teste importante para técnicas de observação de planetas frios. A combinação entre a sensibilidade do James Webb e métodos de subtração do brilho estelar deve ser aplicada a outros companheiros ainda mais tênues.
Nesse contexto, pesquisadores pretendem:
Obter espectros de uma população maior de mundos frios.
Verificar se nuvens de sal são comuns ou peculiares a GJ 504 b.
Refinar modelos atmosféricos e de formação de objetos de massa intermediária.
Ajustar a fronteira entre planetas gigantes e anãs marrons.
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