Uma pequena salamandra das cavernas europeias pode sobreviver por mais de um século, mas o segredo de sua lenta taxa de envelhecimento continua desconhecido
Nas cavernas alagadas da Eslovênia e da Croácia vive o olm, uma salamandra pálida e subterrânea, apelidada de “peixe-humano”
Nas cavernas alagadas da Eslovênia e da Croácia vive o olm, uma salamandra pálida e subterrânea, apelidada de “peixe-humano”. Pequeno, de corpo fino e hábitos lentos, ele intriga cientistas por sua possível longevidade superior a 100 anos, algo raro para um vertebrado de porte reduzido.
O que é o olm e onde ele vive?
O olm é um anfíbio cavernícola exclusivo de sistemas cársticos do sul da Europa, vivendo em água fria, limpa e escura. Mede cerca de 25 a 30 centímetros, pesa poucos gramas e permanece aquático durante toda a vida, com brânquias externas permanentes.
Sua pele rosada, sem pigmentação, e os olhos atrofiados refletem milhões de anos em completa escuridão. Em vez de visão, ele depende de olfato aguçado, sensores de vibração e percepção química da água para explorar o ambiente subterrâneo.

Quais são as principais adaptações do peixe humano?
O ambiente estável das cavernas favoreceu adaptações típicas de animais troglóbios, como crescimento lento e manutenção de traços juvenis na vida adulta. O olm apresenta neotenia, ou seja, conserva características larvais, como brânquias externas, mesmo após a maturidade sexual.
Seu metabolismo é relativamente baixo, adequado à escassez de alimento, e a atividade física é mínima. Essas características reduzem o gasto energético diário e permitem que o animal suporte longos períodos de jejum sem danos aparentes à saúde.
Por que o olm pode viver mais de 100 anos?
Estudos em cativeiro registram indivíduos vivos por muitas décadas e sugerem expectativa média alta, com vida máxima possivelmente acima de 100 anos. As taxas anuais de mortalidade em adultos são muito baixas e não aumentam claramente com a idade observada.
Esse padrão contraria a regra geral que associa pequeno tamanho corporal a vida curta. Quando comparado a outras salamandras, o olm aparece como um ponto fora da curva, superando em potencial de longevidade até anfíbios de grande porte.
The recent deluge has brought the water-table to the surface at many spots in the Karst, erupting like little fountains & with it, even the occasional Olm (Proteus anguineus), a blind cave salamander endemic to the N. Adriatic Karst.
— Paul Tout (@adriawildlife) December 12, 2020
Photos via FB Pivška presihajoča jezera. 🇸🇮 pic.twitter.com/3gv2jwW6y7
Quais fatores explicam a longevidade do peixe humano?
A longevidade parece resultar de múltiplos fatores ecológicos e fisiológicos, mais do que de um metabolismo extraordinariamente lento. Estudos não mostram defesas antioxidantes muito acima da média, mas indicam baixo desgaste ao longo dos anos.
O conjunto de condições abaixo ajuda a entender como o organismo se deteriora de forma tão gradual:
Água fria e estável, com pouca variação de temperatura.
Baixa atividade física e estilo de vida extremamente sedentário.
Reprodução rara, com alto intervalo entre posturas de ovos.
Ausência quase total de grandes predadores nas cavernas.
Por que o olm interessa à pesquisa sobre envelhecimento?
A combinação de corpo pequeno, alta sobrevivência e senescência aparentemente lenta torna o olm um modelo valioso para a biologia do envelhecimento. Colônias em laboratório permitem acompanhar nascimentos, mortes e saúde ao longo de décadas.
Esses dados ajudam a testar modelos estatísticos de longevidade e a buscar marcadores de envelhecimento mais sutis que a idade cronológica. Embora os mecanismos moleculares ainda não sejam claros, o “peixe-humano” oferece pistas únicas sobre como alguns vertebrados conseguem viver tanto em ritmo tão lento.
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