Testes de radiocarbono provam que os tubarões da Gronelândia podem viver mais de 400 anos no Ártico
A descoberta impressiona cientistas ao revelar uma longevidade extrema escondida nas águas geladas e profundas do planeta
A idade extrema de um animal que vive nas águas geladas do Ártico intrigou a ciência por décadas. O que os pesquisadores encontraram nos olhos desse tubarão mudou a forma de medir o tempo na vida marinha e revelou um recorde difícil de imaginar.
Como um animal do Ártico pode atravessar tantos séculos vivo?
Nas profundezas frias do Atlântico Norte e do Oceano Ártico, alguns predadores vivem em um ritmo quase invisível. Eles nadam lentamente, crescem pouco a pouco e passam a maior parte da vida longe dos olhos humanos.
Esse modo de vida ajuda a explicar por que certas espécies podem escapar das comparações comuns. No caso desse tubarão, o mistério ficou ainda maior quando cientistas perceberam que o tamanho do corpo não combinava com uma vida curta.
O que os testes provaram sobre os tubarões da Gronelândia?
Os testes de radiocarbono indicaram que os tubarões da Gronelândia podem viver por mais de 400 anos, tornando a espécie Somniosus microcephalus o vertebrado mais longevo conhecido pela ciência.
A pesquisa analisou o núcleo da lente dos olhos de 28 fêmeas capturadas entre 2010 e 2013. O maior exemplar estudado teve idade estimada em 392 anos, com margem ampla de incerteza, podendo estar entre 272 e 512 anos.
- Espécie analisada: Somniosus microcephalus
- Método usado: Datação por radiocarbono na lente dos olhos
- Amostra estudada: 28 fêmeas
- Maior estimativa central: Cerca de 392 anos
Para complementar o tema, o canal WION, que conta com mais de 10,5 milhões de inscritos no YouTube, apresenta um vídeo sobre o tubarão-da-Groenlândia e os mistérios de sua longevidade extrema. O material destaca como esse vertebrado pode viver por séculos nas águas frias e por que sua biologia interessa à ciência, alinhado ao tema tratado acima:
Por que a idade foi medida pela lente dos olhos?
A lente do olho guarda uma pista rara porque seu núcleo se forma ainda no início da vida do animal. Depois disso, essa região permanece relativamente preservada, como uma cápsula biológica do nascimento.
No estudo publicado na revista Science sobre radiocarbono nas lentes oculares dos tubarões da Gronelândia, os pesquisadores usaram sinais de carbono-14 para estimar quando aquelas estruturas se formaram. Assim, conseguiram calcular a idade aproximada dos animais.
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Quais dados explicam a longevidade dos tubarões da Gronelândia?
O segredo não está em um único fator. O frio extremo, o metabolismo lento, o crescimento reduzido e a vida em águas profundas formam um conjunto que favorece uma existência muito longa.
Esses números explicam por que a espécie passou a ser vista como um arquivo vivo do oceano. Um único indivíduo pode ter nascido antes de muitos acontecimentos históricos que hoje parecem distantes.
Por que essa descoberta preocupa os pesquisadores?
A longevidade impressionante também traz um risco. Animais que crescem devagar e demoram cerca de 150 anos para se reproduzir têm dificuldade muito maior para recuperar populações afetadas por pesca, captura acidental ou mudanças ambientais.
No Ártico, esse cenário pesa ainda mais porque o aquecimento global altera gelo, correntes, disponibilidade de alimento e rotas de espécies marinhas. Um animal que vive séculos pode sofrer impactos causados por mudanças que aconteceram em poucas décadas.
- Reduzir captura acidental em pescarias de águas frias
- Monitorar populações no Atlântico Norte e no Ártico
- Proteger áreas profundas usadas pela espécie
- Estudar efeitos do aquecimento sobre o ecossistema polar

O que os tubarões da Gronelândia revelam sobre o tempo no oceano?
Os tubarões da Gronelândia mostram que a vida marinha pode seguir uma escala quase incompatível com a pressa humana. Enquanto civilizações surgem, guerras terminam e cidades mudam, esses animais continuam crescendo lentamente no escuro gelado.
A força dessa descoberta não está apenas no recorde de idade. Ela lembra que o oceano guarda criaturas capazes de atravessar séculos em silêncio, e que perder uma espécie assim seria apagar uma memória viva do planeta antes mesmo de compreendê-la por completo.
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