Inteligência artificial precisou de apenas 6 meses para descobrir 303 novas figuras gigantes no deserto de Nazca
A tecnologia acelerou uma busca histórica e revelou desenhos antigos que estavam escondidos em uma das regiões mais misteriosas do Peru
A tecnologia entrou em um dos lugares mais misteriosos do planeta e acelerou uma busca que antes dependia de anos de caminhada, fotografia aérea e olhar treinado. Em poucos meses, pesquisadores encontraram sinais que estavam escondidos à vista de todos, redesenhando parte da história arqueológica do deserto peruano.
Como a inteligência artificial encontrou pistas que os arqueólogos ainda não tinham visto?
O deserto de Nazca, no sul do Peru, guarda marcas antigas desenhadas diretamente no chão. Algumas são enormes e famosas, mas outras são menores, mais apagadas e difíceis de perceber mesmo em imagens aéreas.
É nesse ponto que a tecnologia mudou o ritmo da investigação. Em vez de substituir os arqueólogos, o sistema passou a indicar áreas com maior chance de conter figuras, reduzindo o tempo gasto na procura manual.
Quais figuras a inteligência artificial ajudou a descobrir no deserto de Nazca?
A inteligência artificial ajudou cientistas da Universidade de Yamagata e da IBM Research a descobrir e documentar 303 novos geoglifos figurativos na região de Nazca, no Peru, em apenas seis meses de trabalho de campo.
O estudo aponta que as novas figuras incluem motivos humanos, animais domesticados e cenas ligadas à vida social antiga. A descoberta quase dobrou o número de geoglifos figurativos conhecidos na Pampa de Nazca, segundo comunicado da Universidade de Yamagata sobre a pesquisa aceita na PNAS.
- Local da descoberta: Pampa de Nazca, no sul do Peru
- Instituições envolvidas: Universidade de Yamagata e IBM Research
- Total confirmado: 303 novos geoglifos figurativos
- Tempo de levantamento: Seis meses de pesquisa de campo
Para complementar o tema, o canal PNASNews, que conta com mais de 2,8 mil inscritos no YouTube, apresenta um vídeo sobre a pesquisa que identificou mais de 300 geoglifos antigos em Nazca com apoio de IA. O material destaca os autores do estudo, o uso de análise geoespacial e o avanço na leitura das figuras do deserto, alinhado ao tema tratado acima:
Por que essas novas figuras ficaram escondidas por tanto tempo?
Parte da resposta está no próprio terreno. Muitos geoglifos de Nazca foram feitos pela remoção de pedras escuras da superfície, revelando o solo mais claro por baixo. Com o tempo, vento, poeira e erosão tornam essas marcas menos evidentes.
Além disso, nem todas as figuras têm o tamanho das linhas mais famosas, como o beija-flor, o macaco e a aranha. Muitas das novas imagens são geoglifos de relevo, menores e mais ligados a trilhas antigas, o que dificulta sua identificação por inspeção visual comum.
O que a inteligência artificial revelou sobre os tipos de geoglifos?
Os pesquisadores diferenciaram principalmente dois grupos: os geoglifos lineares gigantes e os geoglifos de relevo menores. Essa separação ajuda a entender não só a forma das figuras, mas também a possível função de cada uma na paisagem antiga.
Essa leitura mostra que Nazca não era composta apenas por grandes desenhos isolados. A paisagem parecia funcionar como um sistema visual, com figuras, trilhas e símbolos distribuídos de forma estratégica.
Como esse avanço pode mudar a arqueologia nos próximos anos?
A descoberta mostra que a tecnologia pode acelerar pesquisas sem apagar o papel humano. A IA identifica padrões em grandes volumes de imagens, mas a confirmação ainda depende de arqueólogos, trabalho de campo e interpretação histórica.
Esse modelo também pode ajudar na preservação. Ao localizar áreas sensíveis, pesquisadores conseguem mapear riscos de erosão, chuvas extremas, circulação humana e impactos sobre sítios arqueológicos ainda pouco conhecidos.
- Cruzar imagens aéreas com dados geoespaciais de alta resolução
- Priorizar áreas com maior chance de conter figuras antigas
- Confirmar os achados com inspeção de campo
- Proteger geoglifos ameaçados por erosão, clima e atividade humana

O que a inteligência artificial muda na forma de enxergar Nazca?
A inteligência artificial não resolveu todos os mistérios do deserto, mas abriu uma nova camada de leitura. O que antes parecia apenas espaço vazio entre figuras famosas pode esconder mensagens, rotas e cenas ligadas à vida de povos antigos.
O impacto maior está justamente nessa virada: Nazca deixa de ser vista apenas como um conjunto de desenhos monumentais e passa a ser entendida como uma paisagem viva de comunicação. Em seis meses, a tecnologia mostrou que o passado ainda pode estar inteiro no chão, esperando o olhar certo para aparecer.
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