Astronauta da NASA fotografa do espaço uma descarga vermelha em forma de água-viva que ainda desafia a ciência atmosférica
A imagem feita da Estação Espacial mostra como tempestades intensas podem gerar luzes gigantes em altitudes quase impossíveis de observar do solo
Uma imagem capturada do espaço pela astronauta da NASA Nichole Ayers viralizou nos últimos dias e voltou a acender o debate científico sobre um dos fenômenos mais misteriosos da atmosfera terrestre. Trata-se de um sprite, uma descarga elétrica gigantesca em formato de água-viva que iluminou o céu acima de uma tempestade no México e no sul dos Estados Unidos — e que ainda hoje desafia a explicação da ciência.
O que é o sprite vermelho fotografado da estação espacial
A foto foi tirada em 3 de julho a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS) e mostra uma estrutura luminosa avermelhada se expandindo acima das nuvens de tempestade. Segundo a própria Ayers, que compartilhou a imagem online, sprites são Eventos Luminosos Transientes (TLEs) que acontecem acima das nuvens e são desencadeados por intensa atividade elétrica nas tempestades abaixo.
De acordo com o Observatório da Terra da NASA, a cor vermelha característica dessas estruturas surge da interação das descargas elétricas com moléculas de nitrogênio presentes na alta atmosfera. O sprite fotografado por Ayers pode ter atingido uma altitude de até 80 quilômetros acima da superfície terrestre.

Por que esses fenômenos são tão difíceis de estudar
Os sprites foram observados pela primeira vez por pilotos de avião na década de 1950, mas só foram registrados em filme em 1989. Apesar de décadas de pesquisa, os mecanismos que explicam por que certos raios geram sprites enquanto outros não permanecem pouco compreendidos pela ciência.
O principal obstáculo é geográfico: do nível do solo, essas estruturas são praticamente invisíveis por causa da cobertura de nuvens e da dispersão atmosférica. Do espaço, porém, sua extensão completa fica inequivocamente clara, o que torna a ISS uma das ferramentas mais valiosas para esse tipo de pesquisa.
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Os tipos de eventos luminosos que acontecem acima das tempestades
Os sprites são a forma mais conhecida dentro de uma família mais ampla de fenômenos elétricos atmosféricos. Cada um possui características próprias e oferece pistas diferentes sobre o comportamento elétrico das tempestades. Os principais tipos registrados pela ciência são:
- Sprites vermelhos: descargas em formato de água-viva ou cenoura que se expandem para cima a partir de raios intensos
- Jatos azuis: disparos de energia elétrica que saem diretamente do topo das nuvens de tempestade
- ELVES: anéis de luz em rápida expansão na alta atmosfera, frequentemente comparados a avistamentos de OVNIs

O fenômeno não é exclusivo da Terra
Um dos aspectos mais intrigantes dos sprites é que eles não aparecem apenas no nosso planeta. Estruturas semelhantes já foram detectadas na atmosfera de Júpiter, e os cientistas acreditam que o fenômeno também possa ocorrer em Saturno e Vênus. Isso aponta para um mistério de escala planetária que ainda está longe de ser resolvido.
A imagem de julho não é um caso isolado. Em março, outro astronauta da ISS registrou sprites vermelhos acima de Nova Orleans, e em junho uma formação semelhante apareceu suspensa sobre um relâmpago, parecendo quase desconectada do clima abaixo. A coleção crescente de registros em órbita tem fornecido aos pesquisadores dados cada vez mais detalhados sobre esses eventos raros.
O que essa imagem revela sobre o que ainda não sabemos
A foto capturada por Nichole Ayers é mais do que um espetáculo visual impressionante. Ela representa uma janela aberta para uma das fronteiras mais desafiadoras da ciência atmosférica, onde a eletricidade, a física quântica e a meteorologia se encontram em altitudes que a maioria dos instrumentos terrestres sequer alcança. Como destacou a própria astronauta, essas imagens ajudam os cientistas a “compreender melhor a formação, as características e a relação dos TLEs com as tempestades”.
Enquanto os pesquisadores seguem em busca de respostas, o céu continua guardando segredos que só o espaço consegue revelar. Se até hoje não sabemos por que alguns raios criam sprites e outros não, talvez a resposta esteja justamente lá em cima, esperando pela próxima astronauta com câmera na mão e olhos voltados para baixo.
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