Morre Alan Greenspan, que comandou o Fed por 18 anos
Morre aos 100 anos Alan Greenspan, o banqueiro central que comandou o Fed durante algumas das maiores turbulências dos mercados financeiros
Alan Greenspan, um dos economistas mais influentes da história recente dos Estados Unidos e presidente do Federal Reserve entre 1987 e 2006, morreu nesta segunda-feira aos 100 anos. A informação foi confirmada por sua esposa, a jornalista Andrea Mitchell. Segundo veículos americanos, a causa da morte foram complicações relacionadas ao Parkinson.
Nascido em Nova York em 6 de março de 1926, Greenspan iniciou a carreira como músico de jazz antes de migrar para a economia. Formado pela Universidade de Nova York, ganhou espaço no setor privado como consultor econômico e se aproximou de círculos políticos do Partido Republicano, tornando-se um dos principais assessores econômicos de Washington.
Sua trajetória ficou associada principalmente ao Federal Reserve Bank, o banco central americano. Indicado pelo presidente Ronald Reagan, assumiu o comando da instituição em agosto de 1987, poucos meses antes da queda histórica das bolsas conhecida como Segunda-feira Negra. A resposta rápida do Fed ao episódio ajudou a estabilizar os mercados e consolidou sua reputação.
Greenspan permaneceu no cargo por quase 19 anos, atravessando os governos de Reagan, George H. W. Bush, Bill Clinton e George W. Bush. Durante esse período, supervisionou eventos como a crise financeira asiática, o estouro da bolha das empresas de tecnologia e os efeitos econômicos dos ataques de 11 de setembro de 2001.
Sua gestão coincidiu com um dos ciclos mais longos de expansão econômica da história americana. Nos anos 1990, tornou-se uma celebridade incomum para um banqueiro central e recebeu o apelido de “maestro” por sua influência sobre os mercados e pela condução da política monetária.
O legado, porém, permaneceu objeto de debate. Após a crise financeira de 2007 e 2008, economistas e reguladores passaram a atribuir parte da responsabilidade às políticas de juros baixos e à defesa da desregulamentação financeira durante sua passagem pelo Fed.
O próprio Greenspan reconheceu posteriormente falhas em algumas de suas convicções sobre o funcionamento dos mercados, mas continuou defendendo que a política monetária não foi a principal responsável pela bolha imobiliária.
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