Abertura dos mercados
Mercados mundiais abrem a semana flertando com o vermelho, mas Brasil tem agenda doméstica pesada no radar
Os mercados financeiros internacionais iniciaram esta segunda-feira (22) sob cautela, com os investidores divididos entre o alívio geopolítico trazido pelo avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã e a preocupação com os próximos dados de inflação americana.
No Brasil, a atenção se volta para uma semana carregada de eventos domésticos que podem definir os rumos da política monetária.
Os índices futuros de Nova York operaram em baixa na manhã desta segunda-feira, à medida que investidores monitoram sinais de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã e aguardam a divulgação de um dos indicadores de inflação mais importantes para a política monetária americana.
O Dow Jones Futuro recuava 0,12%, o S&P 500 Futuro cedia 0,21% e o Nasdaq Futuro oscilava perto da estabilidade.
No front diplomático, Teerã e Washington concordaram com um cronograma para concluir um acordo de paz mais detalhado em até 60 dias, mesmo diante das novas ameaças do presidente Donald Trump de realizar ataques caso o Hezbollah siga investindo contra Israel.
Também está prevista a criação de uma linha direta de comunicação para evitar incidentes, com o objetivo de assegurar a passagem segura de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz.
Os preços do petróleo operavam em leve queda, com o Brent recuando para cerca de 79,50 dólares por barril e o WTI próximo de 75,80 dólares, refletindo o alívio geopolítico no Oriente Médio.
Apesar do sinal positivo no Oriente Médio, na quinta-feira será divulgado o índice PCE, referente a maio, a medida de inflação preferida do Federal Reserve, e deve mostrar aceleração em relação ao mês anterior, mesmo ao se considerar o núcleo do índice.
Após a reunião do Fed na semana passada, marcada por uma postura mais agressiva em relação à inflação, as expectativas de aumento da taxa de juros foram antecipadas para outubro.
Na Ásia, o desempenho foi misto: o Nikkei japonês atingiu um novo recorde histórico, subindo 1,55% e encerrando em 72.353,96 pontos, enquanto o índice de Xangai avançou 1,78%.
As bolsas europeias operavam no vermelho, com o CAC 40 francês recuando 0,35% e o FTSE MIB italiano cedendo 0,52%.
No Brasil, o dia começou com a publicação do Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central na sexta-feira (19). O relatório mostrou nova elevação das expectativas de inflação: a projeção para o IPCA em 2026 subiu de 5,30% para 5,33%, marca 15 semanas consecutivas de alta, estouro do teto de 4,5% da meta estabelecida pelo CMN.
Para a Selic, o mercado elevou a estimativa de encerramento do ano de 13,75% para 14,00% ao ano, ou seja, os analistas já não esperam novos cortes em 2026 além do realizado recentemente. O câmbio projetado para o fim do ano permaneceu estável em 5,20 reais por dólar, enquanto a expectativa de crescimento do PIB subiu levemente, de 1,96% para 1,98%.
As atenções da semana se voltam agora para a ata do Copom, esperada para terça-feira (23), com os sinais para o futuro do ciclo de juros no Brasil. O Ibovespa havia encerrado o último pregão com leve alta de 0,03%, aos 168.333,61 pontos, acumulando queda de 1,64% na semana anterior.
O dólar fechou a 5,16 reais, com recuo de 0,20% no dia, mas valorizou 2,04% ante o real na semana. O ETF brasileiro EWZ subia 0,33% no pré-market em Nova York, sugerindo algum apetite externo pelo mercado local, ainda que o ambiente doméstico de inflação crescente e juros elevados continue exigindo cautela dos investidores.
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