Vigas de 16 toneladas e 20 metros serão içadas por guindaste gigante em megaobra de 27 milhões que vai beneficiar diretamente mais de 114 mil moradores
Megaobra de 27 milhões com vigas de 16 toneladas e 20 metros para 114 mil moradores
A Ponte Anêmonas, em Joinville, entrou na fase mais desafiadora da construção: vigas de concreto armado com 15,5 toneladas e 19,90 metros de comprimento estão sendo içadas por guindaste de grande porte no lado do bairro Guanabara. Quando concluída, a estrutura vai ligar os bairros Fátima e Guanabara e beneficiar diretamente mais de 114 mil moradores.
O que é a Ponte Anêmonas e por que ela importa para Joinville?
A Ponte Anêmonas é uma estrutura de concreto armado construída sobre o Rio Itaum-Açú para ligar as ruas Anêmonas, no bairro Fátima, e Esteves Júnior, no bairro Guanabara. A obra é financiada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) dentro do Projeto Viva Cidade 2, com contrato atualizado para R$ 26,8 milhões e execução pela empresa Trilha Engenharia.
Conhecida como “ponte curva” por conta do desvio sobre a vegetação de mangue, a estrutura terá cerca de 200 metros de extensão e 14 metros de largura, com duas pistas de rolamento, ciclovia e calçada nos dois lados. Segundo a Prefeitura de Joinville, a obra vai resolver um gargalo histórico de mobilidade na região Sul da cidade, que hoje sofre com ruas estreitas e falta de conexão direta entre os bairros.
Como funciona o içamento das vigas gigantes na prática?
As vigas são fabricadas fora do canteiro, num pátio próximo à Arena Joinville, e transportadas prontas até o local da obra. Cada peça segue em carreta com apoio de guindastes até o ponto de içamento no bairro Guanabara. O percurso exige bloqueios temporários de trânsito, com apoio do Departamento de Trânsito de Joinville, e as operações foram programadas para o feriado de Corpus Christi e horários de menor movimento para reduzir o impacto na cidade.
As vigas desta fase são as maiores de toda a obra. As primeiras peças instaladas mediam 17,90 metros e pesavam cerca de 13,95 toneladas. As que entram agora têm 19,90 metros de comprimento e 15,5 toneladas, exigindo guindaste de capacidade superior. O posicionamento preciso entre os apoios é feito por equipes especializadas, com cada viga encaixada sobre os 10 apoios e 9 vãos da estrutura.

O que é o cantitravel e por que ele foi escolhido para essa obra?
O cantitravel é um equipamento de cimbramento autolançável que permite avançar a construção sobre o rio e o mangue sem precisar apoiar estruturas pesadas no leito do curso d’água. Ele se desloca sobre a própria estrutura já construída, eliminando a necessidade de andaimes fixos no fundo do mangue e reduzindo drasticamente o risco de dano ambiental ao Rio Itaum-Açú.
O secretário de Infraestrutura Urbana de Joinville, Jorge Sá, destacou no anúncio da obra que o uso do cantitravel coloca a cidade em nível de competitividade com municípios que já adotam alta tecnologia na construção de pontes. Além do benefício ambiental, a técnica reduz o tempo de execução nas fases mais complexas da obra, onde o acesso ao mangue seria proibitivo com métodos convencionais.
| Tipo de viga | Peso e quantidade | Status |
|---|---|---|
| 19,90 metros de comprimento 40 unidades — apoios 1 e 2, bairro Guanabara | 15,5 toneladas por peça — as maiores de toda a obra | Em içamento |
| 17,90 metros de comprimento 16 unidades — apoios 9 e 10, lado Fátima | 13,95 toneladas por peça — primeiras a serem instaladas | Concluído |
| 16,90 metros de comprimento 16 unidades — trecho intermediário da estrutura | Peso não divulgado oficialmente pela Prefeitura | Previsto |
Quais bairros de Joinville são beneficiados e como muda a rotina dos moradores?
A Ponte Anêmonas vai criar uma ligação direta entre a região Sudeste e o centro de Joinville, maior cidade de Santa Catarina. Os bairros Guanabara, Fátima, Adhemar Garcia, Jarivatuba, Itaum e Paranaguamirim são os que recebem impacto direto. Hoje, quem mora nessas regiões precisa dar voltas longas por vias congestionadas para cruzar o Rio Itaum-Açú, especialmente nos horários de pico.
Com a conclusão prevista para dezembro de 2026, a nova travessia vai encurtar esse percurso, reduzir o tempo de deslocamento e ampliar o acesso por bicicleta e a pé, graças às ciclovias e calçadas dos dois lados. Segundo a prefeita de Joinville, Rejane Gambin, a obra está sendo feita com técnica, responsabilidade ambiental e planejamento para garantir impacto positivo duradouro nos bairros da zona Sul.
Qual é o contexto maior de obras de mobilidade em Joinville?
A Ponte Anêmonas não é a única grande obra de infraestrutura em andamento em Joinville. A cidade também executa a Ponte Joinville, considerada a maior obra municipal da história do município, que liga os bairros Boa Vista e Adhemar Garcia e beneficia diretamente cerca de 448 mil moradores. Ambas integram o Projeto Viva Cidade 2, financiado pelo BID, que prevê um pacote total de R$ 371 milhões para revitalização ambiental e urbana do município.
Com a Ponte Anêmonas em cerca de 25% de execução em abril de 2026 e o içamento das vigas maiores em andamento, a obra entra na fase mais visível e tecnicamente complexa do cronograma. O resultado final, esperado para o fim de 2026, vai entregar a Joinville uma travessia que a cidade aguardava há décadas.
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