Talibã declara guerra santa aos grupos de zap
Decisão do tribunal superior proíbe celulares de funcionários do governo e forças armadas em todo o Afeganistão
Funcionários públicos e integrantes do Taleban, estão proibidos de levar smartphones ao trabalho desde quarta-feira, 17, por determinação da Suprema Corte do Afeganistão. Quem for flagrado com o aparelho terá o telefone destruído e enfrentará punição.
A medida, que não teve justificativa divulgada oficialmente, já provocou mudanças na rotina de repartições públicas, com a substituição de aplicativos de mensagens por ligações telefônicas tradicionais.
Aplicativo popular vira alvo
O WhatsApp, ferramenta amplamente usada pela população afegã, está entre os serviços afetados pela nova regra. Segundo o New York Times, os 45 milhões de habitantes do país recorrem ao aplicativo em meio ao isolamento econômico, à redução da ajuda internacional e à tensão com o Paquistão.
A proibição partiu de decreto do líder supremo do Taleban, o xeque Haibatullah Akhundzada, após reuniões realizadas em Kandahar no início do mês. Líderes religiosos e juízes de um tribunal militar solicitaram a medida sob a alegação de conter a circulação de conteúdo considerado pornográfico e práticas de corrupção.
A ordem alcança, em primeira instância, soldados, professores, servidores civis e demais funcionários do governo. Isenções dependem de autorização escrita do próprio líder supremo.
Punições e reações nas províncias
Vídeos divulgados nas redes sociais mostram funcionários e policiais destruindo os próprios aparelhos para cumprir a determinação. Em algumas gravações, trabalhadores afirmam que o gesto demonstra obediência à ordem do Emir, título usado para se referir a Haibatullah Akhundzada.
Na província de Samangan, um policial relatou que um superior alertou a equipe sobre a impossibilidade de contestar a decisão. Em Nangarhar, agentes da polícia da moralidade passaram a recolher celulares na entrada de escolas, o que interrompeu a comunicação de um grupo de mensagens usado por professores e funcionários administrativos.
Nem todas as repartições aplicaram a norma no mesmo ritmo. Um funcionário do setor financeiro da província de Herat informou que, mesmo após receber a determinação do Ministério das Finanças, ele e colegas ainda utilizavam smartphones no ambiente de trabalho dias depois da publicação da ordem.
A proibição se soma a outras restrições adotadas pelo Taleban desde a retomada do poder em 2021, como o controle sobre vestimentas, a repressão a manifestações e o bloqueio de redes sociais como Facebook, Instagram e Snapchat.
Em setembro do ano passado, o governo havia determinado um bloqueio de internet em todo o país por dois dias, sob justificativa de impedir condutas consideradas imorais on-line.
Apesar das restrições, dados do Banco Mundial citados pela reportagem indicam que o Afeganistão somava 25 milhões de assinaturas de telefonia móvel em 2024.
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