Engenheiros britânicos quebram o recorde mundial de internet ao atingir a velocidade absurda de 301 terabits por segundo
A tecnologia conseguiu transmitir uma quantidade gigantesca de dados usando uma estrutura de fibra óptica já conhecida
Uma transmissão experimental realizada com fibra óptica comercial alcançou uma velocidade difícil de imaginar em uma conexão doméstica. A taxa chegou a 301 terabits por segundo, equivalente a 301 milhões de megabits por segundo, sem exigir a substituição do cabo por um modelo especial com vários núcleos. O avanço mostrou que parte da capacidade das redes atuais ainda permanece praticamente inexplorada.
Como os pesquisadores chegaram ao recorde mundial de internet?
O resultado foi obtido por uma equipe internacional formada por pesquisadores do Aston Institute of Photonic Technologies, no Reino Unido, do National Institute of Information and Communications Technology, o NICT, no Japão, da Nokia Bell Labs, nos Estados Unidos, e da empresa Amonics. O experimento foi apresentado na European Conference on Optical Communication de 2023 e divulgado pela Aston University em março de 2024.
O ponto mais surpreendente não foi apenas a velocidade. Os pesquisadores utilizaram uma fibra óptica padrão, semelhante à infraestrutura instalada em redes comerciais, mas ampliaram a quantidade de faixas de luz aproveitadas dentro do cabo. A solução abriu novas “pistas” para os dados sem precisar aumentar fisicamente o número de fibras enterradas.
Qual velocidade marcou o recorde mundial de internet?
O experimento alcançou 301 terabits por segundo, ou 301.000.000 de megabits por segundo, durante uma transmissão por 50 quilômetros de fibra óptica monomodo comercial. Na comparação publicada pela Aston University, o número era cerca de 4,5 milhões de vezes superior à velocidade média de 69,4 megabits por segundo registrada para a banda larga residencial britânica em 2023.
Essa capacidade não representa a velocidade que um computador doméstico receberia imediatamente. O teste mediu a taxa agregada de centenas de canais ópticos transmitidos simultaneamente, reproduzindo uma conexão de alta capacidade usada no núcleo das redes, em enlaces entre cidades, operadoras e grandes centros de dados.
- 301 terabits por segundo de taxa total após a correção de erros
- 301 milhões de megabits transmitidos a cada segundo
- 1.097 canais ópticos funcionando paralelamente
- 50 quilômetros percorridos na medição principal do recorde
Para entender a proposta do experimento, o canal Wireless Nerd, que conta com mais de 1,8 mil inscritos no YouTube, apresenta um vídeo dedicado à transmissão de 301 terabits por segundo em uma fibra já existente. O material explica a velocidade alcançada e a possibilidade de aumentar a capacidade da infraestrutura óptica sem substituir imediatamente todos os cabos, alinhado ao tema tratado acima:
Como a fibra comum conseguiu transmitir uma quantidade tão grande de dados?
A fibra óptica transporta informações por meio de pulsos de luz. Em sistemas convencionais, os operadores dividem parte do espectro disponível em canais com comprimentos de onda diferentes, permitindo que vários fluxos de informação viajem ao mesmo tempo pelo mesmo filamento de vidro. A técnica é conhecida como multiplexação por divisão de comprimento de onda.
No experimento, os cientistas ampliaram essa lógica ao combinar as bandas E, S, C e L. As bandas C e L já são utilizadas com frequência nas comunicações de longa distância, enquanto as faixas E e S permanecem menos exploradas. A equipe desenvolveu amplificadores e equalizadores ópticos capazes de controlar esses sinais adicionais sem alterar a estrutura básica da fibra.
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O que tornou esse recorde mundial de internet tecnicamente diferente?
A demonstração cobriu uma largura de banda óptica de 27,8 terahertz, distribuída entre comprimentos de onda de aproximadamente 1.410,8 a 1.623,1 nanômetros. O sistema utilizou mais de mil canais paralelos, modulação avançada e equipamentos específicos para amplificar cada região do espectro. Os detalhes foram publicados pelo National Institute of Information and Communications Technology, instituição que liderou a colaboração internacional.
O grande avanço ocorreu na banda E, que exigiu um amplificador de fibra dopada com bismuto e um processador óptico capaz de ajustar a intensidade dos diferentes comprimentos de onda. Sem esse controle, os sinais poderiam chegar ao receptor com potências desiguais e apresentar mais erros.
Por que usar os cabos existentes pode reduzir custos e obras?
A instalação de novas fibras exige planejamento, licenciamento, equipamentos, abertura de ruas e acesso a dutos subterrâneos. Em redes de longa distância, também pode envolver milhares de quilômetros de cabos terrestres ou submarinos. Aproveitar melhor o espectro das fibras já implantadas pode adiar parte dessas substituições e aumentar a capacidade de rotas congestionadas.
A tecnologia ainda precisa ser adaptada para funcionar de forma comercial, estável e economicamente viável. Amplificadores multibanda, processadores, transmissores e receptores precisariam ser integrados às redes sem aumentar excessivamente o consumo de energia ou o custo de manutenção.
- Ampliar a capacidade de fibras que já estão instaladas
- Reduzir a necessidade imediata de abrir ruas para novos cabos
- Atender ao crescimento de serviços de nuvem, vídeo e inteligência artificial
- Prolongar a vida útil comercial da infraestrutura óptica
A Aston University classificou a abordagem como potencialmente mais econômica e ambientalmente eficiente do que instalar continuamente novos cabos. A instituição destacou que o uso das bandas adicionais pode aumentar a capacidade das redes principais e melhorar, indiretamente, as conexões oferecidas aos usuários finais.

Os 301 terabits ainda são o atual recorde mundial de internet?
O resultado de 301 terabits por segundo foi um recorde importante quando apresentado em 2023 e divulgado amplamente em 2024, mas já foi superado. A mesma linha de pesquisa chegou a 402 terabits por segundo em 2024, usando seis bandas ópticas, e alcançou 430 terabits por segundo em uma demonstração anunciada pela Aston University em janeiro de 2026.
Isso não diminui a relevância do teste de 301 terabits. Foi essa experiência que demonstrou de forma contundente como faixas pouco utilizadas poderiam liberar uma capacidade muito maior em fibras comerciais. O verdadeiro impacto não está em baixar um arquivo instantaneamente em casa, mas em transformar a infraestrutura que sustenta data centers, redes móveis, serviços de nuvem e toda a circulação global de informações.
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